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12.03.2010
Atingidos por barragens
realizam acampamentos na próxima semana
As atividades fazem parte da
Jornada do Dia Internacional de Luta contra as barragens
Na
próxima semana o MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens)
organizará acampamentos e assembléias em diversas regiões do
país. O objetivo é reforçar o debate sobre os direitos dos
atingidos e sobre o modelo energético brasileiro. As
atividades fazem parte da Jornada do Dia internacional de
luta contra as barragens, pela água, pelos rios e pela vida,
comemorado no dia14 de março. Em nota, o Movimento convocou
todas as entidades a participarem das ações da jornada.
Na região
sul, serão organizados dois acampamentos, um na região
serrana e outro na região oeste de Santa Catarina. Lá, será
cobrado do INCRA o cadastramento e um plano de
reassentamento para as famílias atingidas por barragens e
que ainda não foram reassentadas. Além disso, os
acampamentos irão pautar o projeto de recuperação das
comunidades e municípios atingidos pelas sete barragens da
bacia do Rio Uruguai que está sendo discutido com BNDES e
Governo Federal. Os atingidos também reafirmarão a posição
contrária às barragens de Itapiranga, Garibaldi e Paiquere,
todas previstas para a região.
Já em
Sobradinho (BA), participarão representantes de comunidades
atingidas pela barragem de Sobradinho, que desde o final dos
anos 70 lutam pela efetivação de seus direitos junto à
CHESF, e famílias ameaçadas pela construção das barragens de
Riacho Seco e Pedra Branca. Eles irão exigir, entre outras
coisas, o cancelamento da construção das duas barragens e a
suspensão imediata da transposição do rio são Francisco.
Em
Tocantins, os atingidos pela barragem de Estreito reforçarão
o acampamento iniciado em julho do ano passado. Eles farão
uma grande assembléia de avaliação dos nove meses de
acampamento e exigirão o reconhecimento de todas as famílias
como atingidas, para que tenham os seus direitos
reconhecidos, assim como aconteceu com os atingidos pela
barragem de Lageado, também construída no Rio Tocantins, no
sul do Estado.
Em Minas
Gerais, serão organizados dois acampamentos, um em Aimorés e
outro em Diogo de Vasconcelos. Eles irão cobrar que o
governo e as empresas paguem a dívida social histórica aos
atingidos por barragens e reassente todos que ficaram sem
terra.
Em outros
locais também haverá acampamentos importantes. Os atingidos
pelas barragens de Santo Antônio, Samuel, Jirau e Tucuruí
estarão mobilizados para exigir os direitos negados. O MAB
alerta que as populações amazônicas, assim como os atingidos
por barragens de todo o país estão cansados de esperar, sem
serem atendidos, e isso pode acirrar os conflitos nessa
região.
Recentemente, em audiência com o presidente Lula, o
movimento alertou o governo para este risco, inclusive para
o que pode acontecer em Altamira, caso o governo siga com o
projeto da barragem de Belo Monte. “Com a jornada de lutas
queremos o cancelamento dessa barragem, também pretendemos
pressionar o governo para avançar nessa pauta, implementando
políticas públicas para melhoria das condições de vida nas
comunidades atingidas por barragens, já estamos cansados de
esperar”, disse José Josivaldo Alves, da coordenação
nacional do MAB.
Assessoria
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