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12.08.2008
MAB repudia
concessão de licença para UHE Santo Antônio
Em
10 de dezembro do ano passado, a Agência Nacional de Energia
Elétrica (ANEEL) amanheceu ocupada por atingidos por
barragens, sem-terras, pequenos agricultores e urbanos. Os
trabalhadores protestavam contra o leilão de concessão do
aproveitamento energético da primeira hidrelétrica do
Complexo Madeira, a Santo Antônio, que aconteceu naquele
mesmo dia, a portas fechadas.
Ontem
(11/8), sem muito destaque na mídia - como se fosse natural
deixar que empresas privadas explorem um rio para fins
lucrativos – o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente
e dos Recursos Naturais Renováveis) concede a licença de
instalação da hidrelétrica. Além disso, hoje, um consórcio
liderado por uma transacional franco-belga (Suez Energy)
assina o contrato de concessão da hidrelétrica de Jirau, a
segunda do Complexo Madeira, em cerimônia no Palácio do
Planalto.
Para o MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens), estes
projetos hidrelétricos, que vêm sendo discutidos desde 2000,
fazem parte de um plano maior de saqueio da Amazônia. No
governo Lula, estes projetos passaram a ser prioritários no
setor energético do país. O risco de apagão é um pretexto e
a realização das obras significa abrir hidrovias para o
escoamento das riquezas minerais que estão na região, além
de garantir o funcionamento da indústria da barragem, com a
venda de turbinas, máquinas e equipamentos. “As comunidades
atingidas repudiam a construção desta usina, será um
desastre para a população, no entanto o consórcio engana a
população ao afirmar que as barragens trarão progresso.
Sabemos que isso nunca acontece e a população fica na
miséria. Não ficaremos parados, haverá reação popular”,
alerta Josivaldo de Oliveira, da coordenação do MAB em
Rondônia.
O
consórcio Madeira Energia, dono da UHE Santo Antônio é
formado por Odebrecht, Furnas, Cemig, Banco Santander, entre
outros. Segundo cálculos do MAB, baseado no preço da energia
no mercado internacional, os donos de Santo Antônio e Jirau
vão faturar, juntos, em média, R$ 525.000 mil por hora, com
a venda da energia proveniente dessas barragens. |