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12.08.2010
Marcha encerra acampamento contra Belo
Monte

Encerra-se
hoje (12/08) o acampamento Terra Livre Regional, organizado
por organizações indígenas e não indígenas, em Altamira
(PA). Mais de 400 indígenas, ribeirinhos, pescadores e
agricultores participaram do encontro, que iniciou no último
dia 9.
Em uma
série de mesas e painéis de debates, os participantes
discutiram sobre as dúvidas relacionadas ao projeto da usina
de Belo Monte, os impactos para a floresta, povos indígenas
e comunidades tradicionais e também reafirmaram que são
contrários a sua construção.
Felipe,
morador da região paraense de Gurupá, disse que a luta não é
somente dos povos indígenas de Altamira, mas de todos os
povos do país. Para ele, somente a junção de forças e a
mobilização da opinião pública poderá frear o projeto de
Belo Monte.
Já o
cacique Amiot, da aldeia Gorotire (PA), disse claramente
porque os povos indígenas não querem a hidrelétrica. "Não
queremos Belo Monte porque essa obra vai acabar com a
riqueza das nossas terras, vai acabar com as nossas formas
de bem viver, de nos relacionar com o meio ambiente e com a
nossa medicina natural".
Uma marcha
pela cidade e um ato simbólico em defesa do Xingu acontece
nesta tarde, como encerramento da atividade, avaliada
positivamente pelos coordenadores.
Lançamento
do filme
Na noite
de ontem foi feito o lançamento do Filme “Xingu, o sangue da
nossa sobrevivência”, produzido pelo Movimento dos Atingidos
por Barragens. O filme retrata a luta e a resistência dos
povos do Xingu contra Belo Monte. O vídeo foi dirigido e
editado pelo cineasta italiano Andrea Rossi, diretor do
filme “O Chamado do Madeira”.
“O
Movimento dos Atingidos por Barragens historicamente tem
resistido contra a construção de barragens e lutado pela
garantia dos direitos dos atingidos. Com a ameaça de Belo
Monte, mais uma vez se faz necessário e urgente denunciar
que a água e a energia não são mercadorias e que a vida do
povo e do meio ambiente deve ser respeitada”, disse Moisés
Ribeiro, do MAB. |