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13.08.2009
Sem Terra são torturados
pela polícia em São Gabriel
O MST
denunciou hoje a truculêcia e tortura empregadas pela
Brigada Militar na ação de reintegração de posse da
Prefeitura de São Gabriel (RS), ocorrida na quarta-feira
(12/8) à tarde. A violência e o uso da polícia militar para
reprimir protestos dos movimentos sociais já se tornou comum
no Rio Grande do Sul.
Pelo menos
trinta pessoas, entre crianças e adultos, ficaram feridos –
algumas pessoas tiveram dedos e braços quebrados – durante o
despejo forçado realizado pela Brigada Militar. Todos os 250
Sem Terra foram identificados e humilhados. Os manifestantes
foram encurralados dentro da Prefeitura, onde foram
golpeados com cacetete, chutes e tapas dos policiais.
O fato
ocorrido em São Gabriel nesta quarta-feira ultrapassou o
limite do convencional e adquiriu características de tortura
policial. As famílias relataram que, enquanto estavam na
delegacia para serem identificadas, continuaram recebendo
golpes de cacetete, chutes, socos e tapas dos policiais.
Chegou a ser montado um “corredor polonês” pelo qual as
pessoas foram obrigadas a passar enquanto recebiam chutes e
cacetadas. Os Sem Terra serviram inclusive como cobaias: a
nova pistola elétrica, que deveria ser usada para ajudar em
imobilizações durante perseguição policial, foi utilizada
para dar choque nas pessoas.
Nesta
quinta-feira (13/8), integrantes do Comitê Estadual Contra a
Tortura estão em São Gabriel conversando com as famílias Sem
Terra e recolhendo os depoimentos. O MST repudia mais essa
ação violenta da Brigada Militar, dirigida pelo
subcomandante Lauro Binsfeld - o mesmo que comandou o
despejo das mulheres da Via Campesina em uma área da
papeleira Stora Enso em Rosário do Sul (RS), em 2008, numa
ação que resultou em dezenas de manifestantes feridas.
O MST
também repudia a decisão do prefeito de São Gabriel, Rossano
Gonçalves, de ter se negado a conversar com as famílias e
ter autorizado a ação da Brigada Militar; e responsabiliza
os governos estadual e federal, que não realizam a Reforma
Agrária. Exigimos saber onde estão os recursos que o governo
federal diz que liberou, mas o prefeito Rossano Gonçalves
afirma que ainda não recebeu. Enquanto Incra e Prefeitura
não assumem suas responsabilidades pelo assentamento, três
crianças já morreram desde o início do ano por falta de
atendimento médico. Também criticamos o Ministério Público,
que além de não encaminhar o pedido por escola feito pelas
famílias, esteve presente na ação de despejo e foi conivente
com a violência policial.
As
famílias seguirão em luta, pois suas reivindicações não
foram atendidas. Exigimos as melhorias em infra-estrutura no
assentamento, que passados nove meses de criação ainda não
tem luz elétrica, água potável, estradas, escola para as
crianças. Exigimos que o governo federal libere os R$ 800
milhões do orçamento do Incra para a reforma agrária e para
o assentamento de todas as famílias acampadas no RS
(conforme prevê o Termo de Ajustamento de Conduta que não
foi cumprido pelo Incra). Exigimos a desapropriação do
restante da Fazenda Southall e a liberação imediata, na
Justiça, das Fazendas Antoniazzi e 33, em São Gabriel. |