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13.08.2010
Comunidades dizem não ao
projeto da barragem de Riacho Seco
Paulo Victor Melo
CPT- Juazeiro
No último
dia 10 de agosto, foi realizada uma reunião na comunidade
quilombola de Jatobá, município de Curaçá-Bahia, com a
participação das comunidades quilombolas de Rompedor,
Favela, Quixaba, Caraíbas e Jatobá. Estiveram presentes
também entidades sociais como Comissão Pastoral da Terra (CPT),
Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA)
e Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).
Convocada
pela Secretaria Especial de Políticas de Promoção da
Igualdade Racial do Governo Federal (SEPPIR) e com a
presença de representantes da Companhia Hidrelétrica do São
Francisco (CHESF), a reunião, para esses órgãos federais,
tinha o objetivo de convencer as comunidades a aceitar a
implantação da barragem de Riacho Seco.
A reunião
teve inicio com a representante da SEPPIR, Vera Gomes,
informando que se fazia presente para defender os direitos
das comunidades remanescentes de quilombos e que “o projeto
da construção de barragem é inevitável, por isso as
comunidades precisam construir o projeto de desenvolvimento
em outras terras”.
Em
seguida, integrantes das comunidades questionaram
representantes da CHESF com relação ao projeto da barragem
de Riacho Seco, se posicionando abertamente contra a
construção da hidrelétrica e afirmando que as comunidades
quilombolas do local irão resistir para permanecer em seus
territórios.
O MAB
rearfimou sua posição contrária à construção da barragem.
Segundo o movimeto, a barragem, que está prevista pra 2010,
deverá deslocar cerca de 8 mil pessoas. “Pelo histórico de
construção de barragens no Brasil, já podemos prever várias
violações dos direitos dos atingidos pela barragem de Riacho
Seco”. As demais entidades populares presentes também
reafirmaram apoio à luta e resistência das comunidades
frente às barragens e em defesa da permanência em seus
territórios e de um projeto de desenvolvimento sustentável.
A
assistente social da CHESF, Maria Leidjane, informou que no
estudo de impacto ambiental já consta o posicionamento
contrário à obra de pessoas de diversas comunidades
ameaçadas pela barragem de Riacho Seco. Ainda assim, as
representantes da SEPPIR e da CHESF tentaram convencer as
comunidades a entrar num processo de negociação junto ao
Governo, para que saiam das terras e garantam as
compensações.
A resposta
das comunidades foi um “não à barragem!” e afirmaram que
querem dialogar com o Governo, mas no sentido de apresentar,
junto aos diversos órgãos públicos, projetos que
viabilizem melhor qualidade de vida em seus territórios,
tendo como principal reivindicação a regularização das
terras. |