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13.11.2009
Congresso de Agroecologia
conta com grande participação de camponeses
Centenas
de camponeses e agricultores familiares da Via Campesina e
de várias outras entidades ligadas a agroecologia
participaram do VI Congresso Brasileiro e o II Congresso
Latinoamericano de Agroecologia, que teve início no dia 9/11
e termina nesta sexta-feira (13/11) com atividades de campo,
em Curitiba e região metropolitana, no Paraná.
O evento
reuniu cerca de 3,8 mil pessoas de vários estados
brasileiros e dos demais países da América Latina.
Participam pesquisadores, camponeses, agricultores
familiares, integrantes de movimentos sociais,representantes
de órgãos governamentais e várias entidades, ligadas a
agricultura.
Um dos
participantes, o educando da turma Resistência Camponesa da
Escola Latino-Americana de Agroecologia, na Lapa e pequeno
agricultor, certificado pela Rede Ecovida desde 2002, Luiz
Bueno, conta que este foi um momento muito rico, onde os
agricultores demonstraram sua resistência e capacidade de
mudança. “Não somos pesquisadores, mas
agricultores-experimentadores, e conhecemos a terra. Está
claro que a agroecologia não cabe dentro da lógica
capitalista, por isso, não estamos somente fazendo a
agroecologia, mas trabalhando para uma transformação no
modelo de produção, nas relações humanas e do atual modelo
de sociedade.”
O
presidente da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA),
Francisco Caporal, explica que a Agroecologia é uma ciência
diferente das demais, reunindo conhecimentos de vários
campos, por isso, os congressos de agroecologia têm
privilegiado espaços de participação dos agricultores na
integração com o público acadêmico. Na sua opinião, essa
interação e intercâmbio fortalece o movimento agroecológico
e a agroecologia como novo paradigma.
“Na
construção do conhecimento agroecológico existem várias
formas de geração de conhecimento, e os agricultores vêm
gerando conhecimentos a partir da sua prática cotidiana, nos
seus agroecossistemas de experimentação, nas suas
propriedades. E dentro da agroecologia esse saber campesino
é fundamental, inclusive como ponto de partida para
estratégias de transição agroecológica”, ressalta Caporal.
Durante o
Congresso, o presidente da Sociedade Científica
Latinoamericana de Agroecologia (Socla) e professor doutor
da Universidade da Califórnia, em Berkeley, nos Estados
Unidos, Miguel Altieri, também ressaltou a necessidade da
parceria entre camponeses e acadêmicos para a construção da
agroecologia e apontou a agricultura familiar e camponesa
como única saída para a continuidade da existência no
planeta. “A atual crise de alimentos é o resultado direto do
modelo agroindustrial de agricultura que sufoca os
camponeses, destrói o meio ambiente e os ecossistemas. É um
modelo destruidor, sem volta, que precisa ser mudado. Mas,
sem a mudança com os camponeses e movimentos sociais do
campo não é possível fazer isso”, constata.
A Via
Campesina organizou um acampamento, em um terreno ao lado da
Universidade Positivo, com cerca de 600 pessoas, entre
camponeses, pesquisadores e estudantes que realizaram
atividades paralelas e participaram do Congresso.
Com o tema
central "Agricultura Familiar e Camponesa: experiências
passadas e presentes construindo um futuro sustentável", os
eventos, promovidos pela Associação Brasileira de
Agroecologia (ABA) e pela Sociedade Científica
Latinoamericana de Agroecologia (Socla), buscaram a promoção
dos princípios da Agroecologia a partir do intercâmbio dos
saberes técnico, científico e popular dos atores e entidades
participantes. |