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13.11.2009
MAB participa de encontro
com comissária da ONU para os Direitos Humanos
No último
dia 13, em Brasília, o MAB e demais movimentos sociais
apresentaram à Alta Comissária da ONU, Navenethem Pillay, a
situação dos atingidos por barragens no Brasil, das vítimas
do modelo de desenvolvimento, além disso denunciaram a ação
de grandes empresas que não respeitam os direitos humanos e
criminalizam os movimentos sociais. A alta comissária foi
informada da situação dos mais de um milhão de brasileiros
que já foram atingidos por barragens e que, em sua maioria,
não receberam qualquer tipo de indenização.
O MAB
solicitou que seja recomendada ao governo brasileiro a
regulamentação do conceito de atingido e que seja retirado
das empresas privadas o poder de decidir quem será
indenizado ou não. Também foi destacada a insuficiência do
papel desempenhado atualmente pelo representante especial da
ONU para empresas e direitos humanos que não está propondo
medidas que possibilitem a responsabilização das empresas
pela violação de direitos humanos.
O encontro
aconteceu com a participação de representantes da sociedade
civil, movimentos sociais, ONGs, Plataforma Dhesca Brasil,
MNDH e defensores de direitos humanos, que apresentaram
situações de violações de direitos humanos sofridos por
crianças, mulheres, indígenas, negros; também foi denunciado
o abandono da reforma agrária; a situação dos defensores
assassinados e ameaçados de morte; e a injusta estruturação
do Estado Brasileiro, onde a população de menor renda
trabalha quase duas vezes mais do que a de alta renda para o
pagamento de tributos.
Conforme o
comunicado da presidência do IPEA, quem ganha até dois
salários mínimos (61,9% destes são mulheres; e 72% são
negros) gastam 53,9% de seus rendimentos com impostos (197
dias por ano) e as que ganham mais de 30 salários mínimos
pagam menos (31,7% - 106 dias por ano), comprovando que o
orçamento público no Brasil é financiado pelos pobres, mas
apropriado pelos ricos, pois 25% do orçamento público
federal (US$ 153 bilhões em 2010) é destinado ao pagamento
dos juros da dívida, enquanto o gasto com o bolsa família,
por exemplo, é de apenas R$ 8 bilhões. |