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14.03.2008
Ceste boicota
negociações sobre UHE de Estreito
A
ausência da Ceste (Consórcio Estreito Energia) na reunião que
aconteceu ontem com a Promotoria Pública de Imperatriz, no
Maranhão, impediu que o diálogo sobre a construção da Barragem
em Estreito avançasse.
Na
pauta principal da reunião estava a criação de um fórum de
debate com as populações a serem atingidas pela construção da
barragem. Este espaço de debate será um instrumento coordenado
pelo Ibama (Instituto de Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e
dos Recursos Naturais Renováveis)e tem como função principal
ouvir as comunidades sobre sua situação atual e como a
construção da hidrelátrica afetaria o dia-a-dia em suas
localidades. Com a ausência da Ceste, uma nova reunião teve de
ser marcada para a próxima terça-feira (18/3), no mesmo local. A
reunião será presidida pelo Ibama.
Além da
ausência da construtora da obra, representantes do Ibama que
participaram da reunião informaram que não podiam tomar nenhum
posicionamento em relação as propostas dos Atingidos. Para a
coordenação do MAB, o posicionamento deixa clara a omissão do
Gorveno Federal sobre o caso e a pretensão de construir a
qualquer custo esta barragem, mesmo que seja consultada a
população a ser atingida.
A
tensão no local aumenta. Ontem, o mandato de reintegração de
posse foi lido durante a reunião em Imperatriz, um sinal de que
há poucas possibilidades de diálogo. Ainda ontem cerca de 70
militares da Guarda Nacional chegaram a Estreito para forçar o
despejo, mas o acampados prometem resistir.
O
advogado Nonnato Masson, que acompanha os trabalhadores, relatou
que o atentado contra um trabalhador do MST, baleado dia 11/3
por um funcionário da Ceste, foi apenas uma das ameaças da
empresa contra os trabalhadores. Luis Carlos Pereira, um dos
gerentes do consórcio, continua preso em Estreito por tentativa
de assassinato do Welinton Silva, de 18 anos.
Hoje
pela manhã, comandantes e generais da Policia Militar, Civil,
Rodoviária Federal e da Guarda Nacional tentaram realizar, mais
uma vez, o despejo dos Sem Terra, Ribeirinhos, Indinginas e
outros que permanecem acampados obstruindo a entrada do canteiro
de obras da hidrelétrica. O acordo conquistado pelos
manifestantes garante a permanência do acampamento até o
resultado da próxima reunião, no dia 18/3.
Nesta
reunião estarão reunidos na Promotoria Pública em Imperatriz no
Maranhão, representantes dos Atingidos por Barragens do
consórcio que constrói a Barragem, Ibama, Ministério Público
Federal e Estadual a fim de debaterem a pauta reivindicada pelos
Movimentos que se posicionam contra a UHE.
Hoje
indios Krahôs, Krikatis e Apinajés chegaram para reforçar o
acampamento, outros trabalhadores rurais também estão a caminho.
Fonte:
www.mst.org.br
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