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14.12.2009
Lula poderá
se encontrar com atingidos por barragens
Em 7 anos de
governo Lula, o MAB nunca foi recebido pelo presidente
Durante
reunião com representantes do MAB (Movimento dos Atingidos
por Barragens) na semana passada, em Brasília, o ministro
Luis Dulci, chefe da Secretaria-Geral da Presidência da
República, anunciou o interesse do presidente Lula em fazer
uma audiência com os atingidos por barragens, em janeiro de
2010.
O próprio presidente Lula, em
discurso durante o lançamento do Plano Safra da Agricultura
Familiar, este ano, admitiu que o Estado brasileiro tem
dívidas com o MAB. Segundo o presidente, durante muito tempo
se construiu hidrelétricas no país sem que os atingidos
recebessem indenizações e reassentamentos.
A Coordenação Nacional do
Movimento, que se reuniu em São Paulo na semana passada,
decidiu que nos meses de dezembro e janeiro irá fazer um
amplo processo de consulta aos atingidos de todo o Brasil,
bem como para assessores, entidades e movimentos populares,
a fim de debater os pontos que os atingidos por barragens
podem apresentar ao Presidente da República, no caso de se
confirmar a audiência no Palácio do Planalto.
Historicamente, o MAB vem
denunciando a falta de uma política social de tratamento aos
atingidos por barragens, já que no Brasil não há uma
legislação que assegure os direitos dessa população, nem há
um órgão público encarregado de realizar as indenizações e
reassentamentos dos atingidos. O Movimento também tem
liderado campanhas contra os altos preços cobrados nas
contas de luz que, segundo Luiz Dalla Costa, da coordenação
nacional, faz com que todo o povo brasileiro pague para
enriquecer ainda mais as grandes empresas.
Dalla Costa afirma que o
Movimento quer do presidente avanços em políticas que
garantam os direitos básicos da população atingida, entre
eles o direito ao reassentamento, a implantação de projetos
de desenvolvimento regional e a solução dos problemas
sociais e ambientais onde foram construídas as barragens.
“Além disso, queremos iniciativas do governo no sentido de
cobrar das empresas distribuidoras de energia os R$ 10
bilhões de reais que foram cobrados irregularmente dos
consumidores”.
Outro questionamento que o MAB
poderá levar à audiência com Lula são os projetos de
barragens do Plano Decenal de Expansão de Energia Elétrica
do governo, principalmente os projetos situados na Amazônia,
em especial o de Belo Monte, no Pará. Sobre as negociações
que já estão ocorrendo entre o MAB e o governo, Dalla Costa
diz que alguns passos avançaram, no entanto, “consideramos
que o atual formato de negociação não cria uma nova
política, apenas trata de problemas das barragens já
construídas e de algumas questões pontuais”, afirma. |