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14.12.2010
Via Campesina rechaça
proposta de Aldo Rebelo para o Código Florestal
Diante da
pressão da bancada ruralista para aprovar neste ano o
relatório do deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB), que
flexibiliza o Código Florestal, os movimentos que compõem a
Via Campesina Brasil reafirmam a sua posição pela manutenção
da legislação vigente e contra o relatório em discussão.
"A Via
Campesina Brasil reafirma a sua posição pela manutenção do
atual Código Florestal Brasileiro. Rechaçamos a proposta de
alteração apresentada pelo deputado Aldo Rebelo, que
incorpora as grandes pautas dos ruralistas, como redução da
Área de Preservação Permanente e a anistia das multas por
desmatamentos", afirma nota com a posição oficial da Via
Campesina.
Abaixo, a
nota da Via Campesina Brasil.
A Via Campesina Brasil reafirma a sua posição
pela manutenção do atual Código Florestal Brasileiro
Rechaçamos
a proposta de alteração apresentada pelo deputado Aldo
Rebelo, que incorpora as grandes pautas dos ruralistas, como
redução da Área de Preservação Permanente e a anistia das
multas por desmatamentos.
O Código Florestal é uma legislação inovadora, que está
pautada pela utilização sustentável da floresta. Ao
contrário do que dizem os ruralistas e seus aliados, o
Código Florestal não cria áreas improdutivas, intocadas.
Ele apenas
define que, acima dos interesses privados e do lucro, está o
interesse de toda a sociedade brasileira para que a floresta
seja usada de forma sustentável.
A Via
Campesina defende um amplo pacote de políticas públicas e
programas que possibilitem a utilização sustentável das
áreas de preservação permanente e de reserva legal.
Desde
2009, apresentamos como propostas assistência técnica
capacitada para o manejo florestal comunitário; crédito e
fomento para desenvolvimento produtivo diversificado;
recuperação das áreas degradadas com sistemas agroflorestais;
planos de manejo madeireiro e não-madeireiro simplificados;
canais de comercialização institucional que viabilizem a
produção oriunda das florestas.
Para quem
produz alimento, que são os agricultores camponeses,
quilombolas e indígenas, o Código Florestal não é um
problema, mas sim a ausência do Estado em sua correta
implementação.
Para o
latifúndio do agronegócio, que se utiliza da monocultura, de
quantidades gigantescas de agrotóxicos e de trabalho
escravo, o Código Florestal é um empecilho, que deve ser
destruído assim como as florestas da Amazônia, da Caatinga e
do Cerrado.
É
fundamental lembrarmos que a proposta apresentada pelo
deputado Aldo Rebelo é apoiada somente pelos ruralistas.
Além da
oposição de partidos como PT, PV e PSol, o relatório do
deputado foi rechaçado por todos os grandes movimentos
sociais do campo brasileiro, pelas principais entidades de
pesquisa acadêmica do país e por inúmeras organizações e
intelectuais.
Em mais um
esforço para a destruição do Código Florestal, deputado Aldo
está pressionando os líderes dos partidos a dar caráter de
urgência ao seu relatório, colocando-o para votação
imediata.
É evidente
a manobra do deputado e da bancada ruralista, que visa
apenas evitar o debate aprofundado da sociedade. Querem no
apagar das luzes de seus mandatos imprimir um golpe fatal
contra o meio ambiente e toda a sociedade brasileira, em uma
atitude totalmente antidemocrática.
Conclamamos toda a sociedade e, em especial, às organizações
aliadas da luta da Via Campesina, a enviarem correios
eletrônicos para todos os deputados federais, exigindo que
haja mais tempo para o debate desse tema tão importante e
tão polêmico.
A
mobilização social é fundamental, pois com o encerramento do
ano essa votação pode acontecer a qualquer momento, a partir
desta terça-feira, dia 14 de dezembro.
Digamos
não ao pedido de urgência para o relatório do deputado Aldo
Rebelo!
Via Campesina Brasil
Associação Brasileira dos Estudantes de Engenharia
Florestal - ABEEF
Conselho Indigenista Missionário – CIMI
Comissão Pastoral da Terra – CPT
Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil – FEAB
Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB
Movimento das Mulheres Camponesas – MMC
Movimento dos Pequenos Agricultores – MPA
Movimentos dos Pescadores e Pescadoras Artesanais
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST
Pastoral da Juventude Rural - PJR |