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15.03.2010
Atingidos pelo Complexo
Madeira montam acampamento e cobram seus direitos
Hoje (15),
pela manhã, cerca de 300 atingidos pelas barragens de
Samuel, Santo Antônio e Jirau, montaram um acampamento na
comunidade de Mutum, ao lado da BR 364, em Rondônia. A
atividade faz parte da Jornada do Dia internacional de luta
contra as barragens, pela água, pelos rios e pela vida,
comemorado no dia 14 de março.
Além de
discutir a pauta nacional de reivindicação do MAB (Movimento
dos Atingidos por Barragens) o acampamento tem o objetivo de
elaborar a pauta dos atingidos pela barragem de Jirau. Eles
reivindicam, entre outras coisas, o direito ao
reassentamento e a um plano de desenvolvimento local.
O
consórcio Enersus (Camargo Corrêa e GDF Suez) é responsável
pelo programa de remanejamento da população atingida, mas
não atende a vontade popular de resolver as situações
pendentes quanto às indenizações e à realocação. Quando são
indenizados, os ribeirinhos recebem casas de placas nas
agrovilas. Dezenas dessas casas já caíram, mesmo antes de
serem ocupadas. "É um modelo que para realidade da Amazônia
não serve, pois a região é muito quente e será insuportável
viver nelas, além do mais, a qualidade dessas casas é
péssima e nós não queremos morar nesses lugares", declarou
uma moradora. Outros, recebem reassentamentos de apenas 3
hectares, sendo que antes da barragem eles morava em áreas
de cerca de 50 hectares.
As
comunidades ainda resistem à retirada forçada pelo
consórcio, que vem negando informações aos atingidos. “Os
atingidos devem ter o direito de decidir para onde querem
ir, e como deve ser a sua transferência, com direito de
permanecer na beira do rio. No entanto, o que acontece é que
e empresa decide tudo pelas famílias e, este processo, está
violando vários direitos dos atingidos”, denunciou Océlio
Muniz, da coordenação do MAB.
A situação
das famílias foi relatada ao presidente Lula por Cleide
Passos, atingida pela barragem de Santo Antônio. A audiência
entre o presidente e o MAB aconteceu no dia 4 de fevereiro,
em Brasília. Na ocasião o presidente reconheceu novamente a
dívida do Estado brasileiro com os atingidos por barragens e
afirmou a necessidade das pessoas terem as condições
necessárias para viver com dignidade.
Durante o
acampamento os atingidos irão cobrar das empresas que
cumpram as definições do presidente. Eles pretendem ficar
acampados até serem recebidos pelo consórcio. |