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15.03.2010
Atingidos por barragens
se mobilizam em duas regiões de Minas Gerais
Cerca
de 300 atingidos por barragens estão mobilizados em duas
regiões de Minas Gerais, nas barragens de Aimorés e Fumaça,
no leste do estado e na zona da mata. As ações fazem parte
da jornada nacional de lutas do Dia Internacional de Lutas
contra as barragens, comemorado no dia 14 de março.
Os dois
acampamentos iniciaram ontem, dia 14, e seguem durante toda
esta semana. Com a mobilização, os atingidos estarão
cobrando a garantia de seus direitos, como reestruturação
das comunidades atingidas e reassentamento. Durante os dias,
os manifestantes também estarão fazendo atividades de
formação e grandes assembléias para debater sobre os pontos
de reivindicação. Está prevista a chegada de novas caravanas
de atingidos por barragens para os dois acampamentos durante
a semana.
Na semana
passada, dia 10 de março, o MAB esteve reunido com o INCRA
para cobrar o reassentamento das famílias que ficaram sem
terra. “Somos 1900 famílias de atingidos sem terra no
estado, e saímos da reunião com o compromisso do INCRA de
que nas semanas de 8 a 15 de abril, eles estarão fazendo o
cadastramento dessas famílias para iniciar o processo de
reassentamento”, disse Claret Fernandes, coordenador do MAB
na região.
Polícia
age com truculência contra manifestantes
A barragem
de Aimorés, construída no rio Doce pela Cemig e pela Vale, é
histórica na violação dos direitos humanos. Em 2008, a
Comissão Especial do Conselho de Defesa dos Direitos da
Pessoa Humana (CDDPH), ligada ao Ministério da Justiça,
esteve na região e registrou uma seqüência de violações.
Consta no relatório da Comissão que “ao sentimento das
perdas materiais e à forte percepção de que houve uma
degradação das condições materiais de vida, junta-se, nos
relatos colhidos, a certeza de que o processo por que
passaram as populações atingidas foi também, e talvez mais
que tudo, processo de negação de sua condição humana,
cidadã, de sua dignidade”.
No
entanto, as violações não pararam. Ontem a polícia impediu o
trânsito de um ônibus de atingidos que se deslocava até o
acampamento. A estrada que liga a cidade de Aimorés a Ituêta
e Resplendor foi construída após a obra e concedida a uso da
população como medida compensatória, no entanto a polícia,
“agiu como segurança privada”, como denunciaram os
atingidos, e impediu a passagem dos veículos.
O ônibus
foi bloqueado do lado de Ituêta/Resplendor, às 5 horas da
manhã, com a justificativa que o ônibus levava risco à UHE
Aimorés. No entanto, os objetos transportados não passavam
de objetos pessoais e de utensílios para alimentação. “Essas
ações da polícia só reafirmam a intransigência policial e a
falta de diálogo com as comunidades que sofrem com essa
hidrelétrica”, disse um morador.
O ônibus
foi liberado sete horas depois, mas para seguir até o
acampamento teve que dar uma volta pelo município de
Resplendor, aumentando o trajeto em 70 Km. “Exigimos que as
autoridades investiguem o caso e não permitam que as
violações dos direitos humanos continuem na região de
Aimorés. Repudiamos a ação da polícia de agir como segurança
privada das empresas donas da barragem”, declararam os
manifestantes do MAB de Minas Gerais. |