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15.04.2010
CPT: Cresce o número de
conflitos e de violência no campo
Da CPT
Esta 25ª
edição de Conflitos no Campo Brasil, lançada nesta
quinta-feira (15/4), não tem nada de comemorativo, pois
apresenta crescimento tanto do número de conflitos
envolvendo camponeses e trabalhadores do campo, quanto da
violência em relação ao ano anterior de 2008.
O número
total de conflitos soma 1184, contra 1.170, em 2008, com
aumento considerável em relação especificamente aos
conflitos por terra, 854 em 2009, 751 em 2008.
Quanto à
violência, o número de assassinatos recuou de 28, em 2008,
para 25, em 2009. Outros indicadores, porém, cresceram,
alguns exponencialmente. As tentativas de assassinato
passaram de 44, em 2008, para 62, em 2009; as ameaças de
morte, de 90, foram para 143; o número de presos aumentou de
168, para 204. Mas o que mais choca é o número de pessoas
torturadas: 6, em 2008, 71, em 2009. O número de famílias
expulsas cresceu de 1.841, para 1.884, e significativo foi o
aumento do número de famílias despejadas de 9.077, para
12.388, 36,5%. Também elevou-se o número de casas e de roças
destruídas, 163%, 233% respectivamente. Em 2009,
registrou-se 9.031 famílias ameaçadas pela ação de
pistoleiros, contra 6.963, em 2008, mais 29,7%.
Cresceu o
número de ocupações
A
violência, porém, não fez os movimentos do campo recuarem.
Aumentou o número de ocupações de terra, 290 em 2009, 252 em
2008. Em relação ao número de acampamentos, estes diminuíram
de 40, em 2008, para 36, em 2009, mas cresceu o número de
pessoas nos acampamentos: passou de 2.755 em 2008, (media de
68 famílias) para 4.176, em 2009, (média de 116 famílias por
acampamento).
Criminalização crescente dos movimentos sociais
O
incremento de conflitos e de violência inseriu-se num
contexto nacional preocupante de crescente criminalização
dos movimentos sociais tanto no âmbito do Poder Judiciário,
quanto do Poder Legislativo, amplificada inúmeras vezes
pelos grandes meios de comunicação social.
No âmbito
do Poder Judiciário destacou-se a figura do próprio
presidente do Supremo Tribunal Federal, STF, Gilmar Mendes,
que no início de 2009 saiu a público acusando os movimentos
de praticarem ações ilegais e criticando o Poder Executivo
de cometer ato ilícito por repassar recursos públicos para
quem, segundo ele, pratica tais atos. Esta intervenção,
certamente, serviu de suporte para o alto número de
despejos, para o crescimento das prisões e de outras formas
de violência, e forneceu munição para a bancada ruralista do
Congresso Nacional criar a uma Comissão Parlamentar Mista de
Inquérito, CPMI, conhecida como CPMI do MST.
O mesmo
presidente do Supremo, em fevereiro de 2010, durante
cerimônia de lançamento do Programa Observatório das
Inseguranças Jurídicas no Campo, da Confederação Nacional da
Agricultura (CNA), assinou convênio com esta entidade para
prestar serviços de consultoria ao CNJ, em relação a
processos nas áreas fundiária e ambiental.
No âmbito
do poder legislativo, além da CPMI que tenta incriminar os
movimentos sociais do Campo, em 2009, foram apresentados
mais de vinte (20) projetos de lei e propostas de
fiscalização que, direta ou indiretamente, criminalizam os
movimentos agrários ou visam impedir avanços na política
agrária. O primeiro deles é a PEC 361, de 2009, que quer
estender as competências constitucionais relacionadas à
política fundiária para Estados, Distrito Federal e
Municípios. Outros projetos propõem transferir competências
do Executivo Federal para o Congresso Nacional como, por
exemplo, a competência das desapropriações por interesse
social, ou a de aprovar os índices de produtividade da
terra.
Já no
âmbito do Executivo. Em 2009, fica clara a prioridade dada
ao capital para continuar se expandindo e avançando por
novas áreas, em detrimento dos povos indígenas e das
comunidades quilombolas e de outras comunidades
tradicionais. A grilagem de terras públicas da Amazônia foi
sacramentada pelo MP 458, transformada rapidamente em Lei
pelo Congresso Nacional. A construção de barragens,
sobretudo as da Amazônia, vão sendo empurradas goela abaixo
da população, apesar de todos os estudos e manifestações em
contrário, de modo particular a de Belo Monte, no rio Xingu. |