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15.10.2010
Vamos eleger Dilma
Rousseff presidenta do Brasil
No início
do processo eleitoral deste ano, os movimentos sociais e a
Via Campesina Brasil tomaram a decisão política de empenhar
esforços para eleger o maior número possível de
parlamentares e governadores identificados com as bandeiras
populares da classe trabalhadora, com o aprofundamento da
democracia e soberania brasileira e com políticas que
combatam a concentração da propriedade e da renda em nosso
país.
Quanto à
eleição presidencial, as organizações populares que compõem
a Via Campesina decidiram lutar para que não houvesse a
vitória eleitoral de uma proposta neoliberal, representando
pela candidatura do tucano José Serra.Passando o primeiro
turno dessa campanha eleitoral, realizado em 3 de outubro,
queremos, com este comunicado ao povo brasileiro, manifestar
nossa decisão política frente às eleições deste ano.
Avaliação
do 1º turno
As
renovações que aconteceram nas Assembleias estaduais, na
Câmara dos Deputados, no Senado Federal, além da eleição e
reeleição de governadores progressistas, são alvissareiras.
No Senado
Federal, especialmente, fomos vitoriosos com a eleição de
companheiros e companheiras identificadas com as nossas
lutas e com a não eleição de senadores que se notabilizaram
pela perseguição aos movimentos sociais, identificados com
os interesses do agronegócio.
Destacamos
como vitória a derrota eleitoral do governo tucano de Yeda
Crusius, no Rio Grande do Sul, que se notabilizou,
juntamente com o governo tucano de São Paulo, pelo controle
da mídia, criminalização dos movimentos sociais e repressão
à luta pela Reforma Agrária, aos movimentos de moradia e ao
movimento dos professores da rede pública estadual. Em
relação às campanhas presidenciais, não transcorreram
debates em torno de projetos políticos e dos problemas
principais que afetam a população brasileira.
A campanha
de Dilma Rousseff (PT) buscou apenas, de forma pragmática,
divulgar o desenvolvimento econômico e as políticas sociais
do governo Lula, apoiando-se na popularidade e nos enorme
índices de aprovação do atual governo. Com essa estratégia,
obteve quase 47% dos votos, que foram insuficientes para
vencer no primeiro turno. A candidatura de José Serra (PSDB)
nos surpreendeu, não por sua identificação com as políticas
neoliberais, e sim pelo baixo nível da sua campanha
presidencial.
Foi
agressivo e perseguiu jornalistas em entrevistas, tentou
interferir em julgamentos do Supremo Tribunal Federal (STF),
espalhou mentiras e acusações infundadas.Chegou a usar a
própria esposa, que percorreu as ruas de Niterói (RJ)
dizendo que Dilma Rousseff “é a favor de matar as
criancinhas”. Somente uma candidatura sem nenhum compromisso
com a ética e com a verdade, contando com o total controle
sobre a mídia, pode desenvolver uma campanha de tão baixo
nível. A biografia do candidato já é a maior derrotada
nestas eleições.
A
candidatura de Marina Silva (PV) cumpriu o objetivo a que se
propôs: provocar o segundo turno nesta campanha eleitoral. O
tempo dirá se o seu êxito serviu para fortalecer a
democracia ou simplesmente foi utilizada pelas forças
conservadoras, para que retornassem ao governo.Já as
candidaturas identificadas com os partidos de esquerda, que
utilizaram o espaço eleitoral para defender os interesses da
classe trabalhadora, infelizmente tiveram uma votação
inexpressiva.
O descenso
social que temos há duas décadas em nosso país, a
fragmentação das organizações da classe trabalhadora e a
fragilidade da política de comunicação com a sociedade
certamente influíram no resultado eleitoral. Cabe uma
auto-crítica aos partidos políticos que se limitam apenas às
campanhas eleitorais para dialogar com a sociedade. E que
não falte daqui pra frente trabalho de base e a formação
política permanente.As eleições deste ano demonstraram o
poder nefasto e antidemocrático da mídia.
Mas, por
outro lado, foi potencializada uma rede de comunicadores
independentes, comprometidos com a liberdade de expressão e
com o direito à informação, e que enfrentam aguerridamente o
monopólio dos meios de comunicação em nosso país. São
avanços rumo à democratização da informação e na construção
de uma comunicação democrática e plural, com a participação
da sociedade.
O 2º Turno
Nós
reafirmamos nosso compromisso em defesa das bandeiras de
lutas da classe trabalhadora e na construção de um país
democrático, socialmente justo e soberano. Independentemente
do governo eleito, seja ele qual for, iremos lutar de forma
intransigente pela expansão das liberdades e dos direitos
democráticos oprimidos.
Vamos
lutar também por mudanças nas instituições e serviços
públicos, em benefício da ampla maioria da população;
combater aos monopólios para o desenvolvimento com soberania
e distribuição de renda; defender as conquistas
trabalhistas, a redução da jornada de trabalho, o direito de
greve para os servidores públicos; a Previdência Social
pública, de boa qualidade, pelo fim do fator previdenciário.
Defendemos
também a realização de uma reforma urbana, com moradia,
saneamento básico, transporte público e segurança; a
construção de serviços de saúde universal e de boa
qualidade; reformas na educação pública e promoção da
cultura nacional-popular com caráter universal; o fim do
latifúndio, limite do capital estrangeiro sobre os nossos
recursos naturais e a realização de uma Reforma Agrária
anti-latifundiária; a implantação de novas relações da
sociedade com o meio ambiente e efetivação uma política
externa de autodeterminação, solidariedade aos povos e que
priorize a integração dos povos do continente
latino-americano e do Caribe.
Infelizmente, os avanços do governo Lula em direção a essas
bandeiras democrático-populares foram insuficientes, em em
que pese o acerto de sua política externa. Também nos
preocupa constatar que, no arco de alianças da candidatura
de Dilma Rousseff, há forças políticas que se contrapõem a
essas demandas sociais.
Porém,
temos uma certeza: José Serra, por sua campanha, pelo seu
governo no Estado de São Paulo e pelos oito anos de governo
FHC, tornou-se o inimigo dessas bandeiras de lutas. Pelo
caráter anti-democrático e anti-popular dos partidos que
compõem sua aliança eleitoral e por sua personalidade
autoritária, estamos convictos que uma possível vitória sua
significará um retrocesso para os movimentos sociais e
populares em nosso país, para as conquistas democráticas em
nosso continente e uma maior subordinação ao império dos
Estados Unidos. Esse retrocesso não queremos que
aconteça.Nossa posição nessa conjuntura
Assim, os
movimentos sociais e a Via Campesina Brasil afirmam o seu
apoio e compromisso de lutar para eleger a candidata Dilma
Rousseff para o cargo de presidenta do Brasil. Queremos nos
juntar aos movimentos sindicais, populares, estudantis,
religiosos e progressistas para promover debates com a
sociedade, desmascarar a propaganda enganosa dos neoliberais
e autoritários e exigir avanços na democracia, nas políticas
públicas que favoreçam a população, no combate aos corruptos
e corruptores e na democratização do poder em nosso país.
Precisamos
derrotar a candidatura Serra, que representa as forças
direitistas e fascistas do país. Devemos seguir organizando
o povo para que lute por seus direitos e mudanças sociais,
mantendo sempre nossa autonomia política frente aos
governos.Conclamamos a militância de todos os movimentos
sociais, os lutadores e lutadoras do povo brasileiro, para
se engajarem nessa luta, que é importantíssima para a classe
trabalhadora.
Vamos à luta!! Vamos eleger Dilma Rousseff
presidenta do Brasil.
Via
Campesina Brasil
Movimento
dos Atingidos por Barragens- MAB
Movimento
das Mulheres Camponesas- MMC
Movimento
dos Pequenos Agricultores - MPA
Movimento
dos Trabalhadores Rurais Sem Terra- MST
Federação
dos Estudantes de Agronomia do Brasil- FEAB
Assembléia
Popular- PE
Centro de
Estudos Barão de Itararé
Fórum
Brasileiro de Economia Solidária
Marcha
Mundial das Mulheres- MMM
Movimento
Camponês Popular- MCP
Rede
Brasileira de Integração dos Povos- REBRIP
Rede de
Educação Cidadã Sudeste- RECID
Sindicato
dos Engenheiros do Paraná- Senge-PR
Uniao de
Estudantes Afrodescendentes-UNEAFRO |