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16.04.2010
Dossiê dos impactos e
violações da Vale no mundo é lançado no RJ
Por Gustavo Mehl, da Justiça
Global
Nesta
quinta-feira (15/4), a Assembleia Legislativa do Rio de
Janeiro (Alerj) recebeu mais de cem ativistas dos cinco
continentes. Em audiência pública lotada, foi lançado o
“Dossiê dos impactos e violações da Vale no Mundo”. A ação
faz parte do I Encontro Internacional dos Atingidos pela
Vale, que ocorre no Rio de Janeiro desde segunda-feira
(12/4). Sentados nas cadeiras, no chão e do lado externo, os
participantes ouviram denúncias contra a empresa, por parte
de trabalhadores de diversos países. Canadá, Nova Caledônia,
Peru e Moçambique, por exemplo, intercalaram denúncias com
as caravanas de estados brasileiros.
“Eles
roubaram nossa terra, lançaram veneno em nosso ar, e
poluíram nossa água”, protestou James Wester, do Canadá. O
país trouxe uma delegação para o encontro. No Canadá, três
unidades da Vale-Inco estão em greve, duas delas há nove
meses completados essa semana. “Moçambique é um país que
precisa muito de desenvolvimento. A Vale chega prometendo um
monte de coisa. A população aceita muito fácil. Eles nao
cumpriram nada, não pagaram pela terra, e estão hoje
presentes em todo o estado moçambicano”, disse Jeremias,
trabalhador da Vale Moçambique.
“Não sei
se vocês dimensionam o que está acontecendo aqui. O
imperialismo brasileiro está nascendo. As empresas
brasileiras se voltam para explorar força de trabalho em
outros países”, afirmou a professora da Universidade Federal
Fluminense (UFF), Virginia Fontes. Para Virgínia, a teoria
geopolítica de Ruy Mauro Marini, que nos anos 1970 falava do
subimperialismo brasileiro, não cabe mais no contexto atual.
Agora, mesmo priorizando produtos primários, o Brasil já
participa do controle hegemônico capitalista.
“O Estado
brasileiro tem seu papel, um jeito novo, muito sutil, de
manter as privatizações. O grande financiador de fusões e
incorporações no Brasil é o BNDES. No último ano, o país foi
onde mais se teve fusões no mundo, 25% do total”, disse o
deputado federal Chico Alencar (PSOL/RJ). Também esteve
presente os deputados estaduais Paulo Ramos (PDT/RJ) e
Marcelo Freixo (PSOL/RJ), presidente da Comissão de Direitos
Humanos da Alerj, que coordenou a mesa.
Após a
audiência, os manifestantes seguiram a pé até a sede da
Vale. Os 150 ativistas que vieram ao Rio de Janeiro, sede da
empresa, somaram-se a outros militantes e, em fila,
marcharam pelo Centro da cidade. Em frente à Vale, um bolo
foi cortado e servido a funcionários da empresa,
representando, simbolicamente, os nove meses de greve dos
canadenses. Discursos inflamados seguiram-se por toda parte.
A direção da empresa não se manifestou. |