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16.06.2010
Portugueses, japoneses e
italianos controlam 1 milhão de hectares no Brasil
Por
Lúcio Vaz
Do Correio Braziliense
O cadastro
de terras compradas por estrangeiros no Brasil aponta as
maiores extensões nas mãos de portugueses, japoneses e
italianos. Pelo menos 1,1 milhão de hectares estão em poder
de pessoas físicas e empresas dessas três nacionalidades. O
documento oferece um perfil dos interessados em nossas
terras, mas seus números são imprecisos.
A empresa
que aparece como maior proprietária, a Veracel Celulose, na
Bahia, com 204 mil hectares, afirma ser uma empresa
brasileira, embora 50% do seu capital seja da multinacional
sueco-finlandesa Stora Enso, uma das maiores empresas de
produção de papel do mundo. Em segundo lugar, aparece a
concorrente International Paper do Brasil, uma empresa
americana com sede no Tennessee e atuação em 20 países.
Os
registros do Sistema Nacional de Cadastro Rural do Instituto
Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) estão
desatualizados em alguns anos. No final do ano passado, o
Incra abriu um recadastramento pela sua página na internet.
Muitos dos
imóveis ainda têm os dados do registro inicial, quando foram
adquiridos. De uma forma geral, os proprietários só se
preocupam com a atualização no momento da venda do imóvel.
Outro problema é que o cadastramento é voluntário e
autodeclaratório. A maior parte dos que declaram é pessoa
física.
Reportagem
publicada no Correio na última quarta-feira mostrou que
existem 4,3 milhões de hectares de terras brasileiras nas
mãos de estrangeiros. Estão distribuídas em 3,6 mil
municípios, mas concentram-se nos estados do Centro-Oeste e
Sudeste, onde existem as terras mais férteis e apropriadas à
produção de grãos. Destaca-se Mato Grosso, com 844 mil
hectares ocupados.
A
competição com os países mais desenvolvidos já elevou o
preço das propriedades em cerca de 300% em algumas regiões
nos últimos quatro anos. E isso é apenas uma amostragem
porque os técnicos do Incra avaliam que a quantidade de
terra nas mãos dos gringos deve ser cinco vezes maior.
Eucaliptos
A
legislação brasileira dificulta a identificação do capital
estrangeiro. Uma multinacional pode criar uma empresa no
Brasil com apenas 1% de capital nacional. Ainda assim, será
brasileira. Ela poderá registrar as suas terras em cartório
como empresa nacional e ficar fora do cadastro do Incra.
A Veracel
adquiriu as primeiras terras para plantar eucaliptos no Sul
da Bahia em 1991, ainda com o nome de Veracruz Florestal,
uma subsidiária da empreiteira Odebrecht.
O grupo
noruegês Loretzen e o Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES) se associaram ao empreendimento.
O nome mudou para Aracruz. Em seguida, foi formada a
sociedade com a Stora Enso.
A primeira
colheita ocorreu em 2001. Quatro anos depois, construíram a
primeira fábrica, em Eunápolis (BA), com financiamento do
BNDES. Hoje, a produção alcança 1 milhão de toneladas/ano.
A Aracruz
sofreu alterações societárias e hoje se chama Fibria.
Questionada por que o seu nome aparece como empresa
estrangeira no cadastro do Incra, a direção da empresa
respondeu: “Independentemente da origem dos acionistas, a
Veracel é uma empresa brasileira e todas as suas terras
foram adquiridas e registradas em seu nome”.
A
concentração de terras em alguns municípios impressiona. Só
em Santa Cruz de Cabrália são 56 mil hectares. Em Eunápolis,
são mais 48 mil. A multinacional dispõe de mais da metade de
todas as terras estrangeiras registradas na Bahia.
A
Internacional Paper tem 72 mil hectares de plantações de
eucaliptos em São Paulo e Mato Grosso do Sul. A sua maior
propriedade no Brasil fica em Glória de Dourados (MS), com
16,8 mil hectares. Em Ponta Porã (MS), há mais 10 mil
hectares. Em São Paulo, destacam-se as fazendas em Brotas,
com 10 mil hectares, e Mogi-Guaçu, com 9,6 mil hectares.
Suas três
fábricas, em Mogi-Guaçu (SP), Luiz Antônio (SP) e Três
Lagoas (MS), produzem 1 milhão de toneladas de papel por
ano. A empresa tem operações comerciais nas três Américas,
Europa, Rússia, Ásia e norte da África.
O
município que tem a maior concentração de terras
estrangeiras registradas é Porto Alegre do Norte (MT). Lá,
três famílias italianas e uma empresa agropecuária, a
Frenova, ocupam 79 mil hectares. No Oeste baiano, a produção
de soja e algodão está dividida entre fazendas de
holandeses, em Correntina, e de japoneses, em Barreiras,
Riachão das Neves, Formosa e São Desidério.
(publicado em 13 de junho de
2010) |