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16.06.2010
Atingidos pela barragem
de Santo Antônio exigem reassentamento
Desde
a manhã de hoje (16/06), cerca de 500 famílias atingidas
pela barragem de Santo Antônio estão reunidas em uma
assembleia na comunidade Joana D’arc, Linha 17, em Porto
Velho. As famílias estão discutindo a proposta de
reassentamento que exigem das empresas construtoras da
barragem, entre elas a Odebrecht e Furnas. Senadores,
deputados, representantes do governo federal e do consórcio
construtor da obra estão confirmados para a assembleia.
A
conquista do reassentamento está se efetivando desde que as
famílias conseguiram abrir um processo de negociação com as
empresas donas da Usina Santo Antônio. Segundo as lideranças
isso só foi possível graças a luta e resistência que os
atingidos travaram desde o início da construção da barragem.
No último
dia 5 de maio aconteceu uma das reuniões que garantiu às
famílias o direito de serem indenizadas por todas as
benfeitorias das comunidades, além do direito ao
reassentamento. Participaram dessa reunião decisória as
lideranças do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB),
representantes do consórcio Santo Antônio Energia, do INCRA
e do governo. “Isto está registrado em ata e, mesmo que nem
todas as famílias tenham o título de posse da terra, todas
deverão ser indenizadas”, afirmou Cleide Passos, liderança
da região.
Entre as
propostas de reassentamento que o Movimento reivindica estão
comunidades com mais de 20 famílias, 100 hectares de terras
férteis para cada uma delas, convênio de assistência técnica
durante 5 anos e estruturas coletivas básicas, como igreja,
escola, salão comunitário, posto de saúde e campo de
futebol.
“Além
disso, queremos garantir que cada filho de atingido, com
mais de 18 anos, tenha direito à terra para constituir suas
famílias. Isso é o mínimo que essa empresa que nos tirou o
lugar de sobrevivência deve oferecer aos nossos jovens”,
declarou Cleide.
Outra
reivindicação dos atingidos é que os reassentamentos devam
ser próximos de Porto Velho, entre a BR-364 e o Rio Madeira,
perto de onde as pessoas vivem atualmente. Ou seja, elas
reivindicam que a compra da área de terra destinada ao
futuro reassentamento deva passar pela aprovação de todas as
famílias para evitar que a empresa compre uma área imprópria
ou muito distante.
Além da
terra e das estruturas comunitárias, os atingidos exigem
casas de boa qualidade, adequadas às características da
região e conforme o número de pessoas em cada família, verba
para manutenção durante o período inicial da transição,
energia elétrica instalada e abastecimento de água potável
em todas as casas.
“Em outras
regiões do país onde foram construídas as barragens, os
reassentamentos foram uma conquista do povo. Temos ótimas
experiências em Santa Catarina, no Paraná e em outros
estados, e sabemos que é isso que garante a vida do
ribeirinho, produzindo alimentos e criando seus filhos.
Estamos dispostos a lutar até o fim por este pedaço de chão
que é nosso por direito”, finalizou a liderança local. |