17.03.2010 Em Minas Gerais
acampamentos serão permanentes
Os
acampamentos de Minas Gerais que iniciaram no domingo estão
sendo reforçados com o aumento do número de participantes.
Os atingidos também participam de debates fora do
acampamento, como aconteceu na segunda-feira (15), em uma
atividade na Universidade Federal de Viçosa. Ontem, uma
comissão participou de um debate sobre a Violação dos
Direitos Humanos, na cidade de Mariana, que contou com a
presença de autoridades, entre elas, os prefeitos da região
e o presidente da CNBB, arcebispo de Mariana, Dom Geraldo
Lyrio Rocha.
Os
integrantes do MAB deram o depoimento sobre as graves
violações sofridas antes, durante e depois da implantação de
uma barragem. No caso da Usina de Fumaça, o MAB denunciou a
falta de indenização, como aconteceu com dezenas de
diaristas que receberam apenas R$ 38,00, ou então as mais de
1000 famílias que extraiam pedra sabão e ficaram sem
emprego, já que as pedreiras estão submersas ou isoladas.
“Esta atividade tem mais de 200 anos na região e é de onde
centenas de artesãos tiravam seu sustento. Agora estão sem
condições de sobrevivência”, denuncia Claret Fernandes,
coordenador do MAB na região.
As
denúncias sobre os prejuízos causados pela barragem de
Aimorés são ainda maiores. De propriedade da CEMIG e da
Vale, a barragem destruiu pelo menos duas cidades: Aimorés e
Itueta. Aimorés, por exemplo, foi fundada a partir do Rio
Doce. Com a construção da barragem, o rio foi desviado num
trecho de 8 km, impedindo as principais atividades dos
moradores que dependiam do rio para viver.
Já a
cidade de Resplendor, situada no remanso da barragem, também
se encontra em situação crítica, com problemas na rede
pluvial e de esgoto, entre outros. Além disso, o Ibama
aprovou o aumento da cota da barragem de 84 para 90 metros,
sem um novo levantamento de Estudos de Impacto Ambiental,
impactando mais terras e famílias. “Isso é de uma
irresponsabilidade muito grande de órgãos de proteção de
meio ambiente. Temos muitos casos vergonhosos na construção
de barragens em Minas Gerais e com estes acampamentos
queremos denunciar essa situação. O acampamento de Fumaça
será permanente, pois além de todas as perdas que tivemos,
estamos à mercê da sorte. No entanto estamos dispostos à
lutar para sermos indenizados e reassentados”, declarou o
coordenador do MAB na região.
Acompanhe
o vídeo com imagens do acampamento de Fumaça
* Vídeo
feito pelo Coletivo de Comunicação do MAB com colaboração
dos estudantes de Comunicação Social da Universidade Federal
de Viçosa Gustavo Paravizo e Geanine Hackbardt.
..:
Movimento dos Atingidos por Barragens | Brasil
:..