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17.03.2011
Nota do Movimento dos
Atingidos por Barragens (MAB) sobre a revolta
dos operários na Usina
Hidrelétrica de Jirau, em Rondônia
Greve dos
operários da Usina de Santo Antônio,
no rio
Madeira, Rondônia.
Nesta
semana acompanhamos a revolta dos operários na Usina
Hidrelétrica de Jirau contra as empresas que controlam a
barragem. Existem informações de que os mais de 15
mil operários da obra estão em situação de superexploração,
com salários extremamente baixos, longas jornadas e péssimas
condições de trabalho, que existe epidemia de doenças dentro
da usina e não existe atendimento adequado de saúde, que o
transporte dos operários é de péssima qualidade, sofrem com
a falta de segurança e que mais de 4.500 operários estão
ameaçados de demissão. Esta é a realidade da vida dos
operários.
Esta
situação tem como principal responsável os donos da usina de
Jirau, o Consórcio formado pela transnacional francesa Suez,
pela Camargo Corrêa e pela Eletrosul. As revoltas dos
operários dentro das usinas tem sido cada vez mais
frequentes e isso é fruto da brutal exploração que estas
empresas transnacionais impõem sobre seus trabalhadores.
Há pouco
tempo houve revolta na usina de Foz do Chapecó, também de
propriedade da Camargo Corrêa, em 2010 houve a revolta dos
operários da usina de Santo Antonio e agora temos
acompanhado a revolta dos operários da usina de Jirau.
As
empresas construtoras de Jirau são as mesmas que foram
denunciadas em recente relatório de violação de Direitos
Humanos, aprovado pelo Governo Federal, que constatou que
existe um padrão de violação dos direitos humanos em
barragens e de criminalização, sendo que 16 direitos têm
sido sistematicamente violados na construção de barragens.
Os atingidos por barragens e os operários tem sido as
principais vítimas.
A empresa
Suez, principal acionista de Jirau, é dona da Barragem de
Cana Brava, em Goiás, e Camargo Corrêa é dona da usina de
Foz do Chapecó, em Santa Catarina. Essas duas hidrelétricas
também foram investigadas pela Comissão Especial de Direitos
Humanos em que foi comprovada a violação. Estas empresas tem
uma das piores práticas de tratamento com os atingidos e com
seus operários.
Em junho
de 2010, o MAB já havia alertado a sociedade que em Jirau
havia indícios e denúncias, que circularam na imprensa
local, de que as empresas donas da Usina de Jirau haviam
contratado ex-coronéis do exército para fazer uma espécie de
trabalho para os donos da usina de Jirau e não seria
surpresa se estes indivíduos contratados pelas empresas
promovessem ataques ou sabotagens contra os operários e
atingidos, para jogar uns contra os outros e/ou criminalizar
nossas organizações e sindicatos.
A revolta
dos operários é reflexo desse autoritarismo e da ganância
pela acumulação de riqueza através da exploração da natureza
e dos trabalhadores. Prova desse autoritarismo e
intransigência é que estas empresas se negam a dialogar com
os atingidos pela usina e centenas de famílias terão seus
direitos negados. As consequências vão muito além disso,
pois nesta região se instalou os maiores índices de
prostituição e violência.
Em 2011, O
MAB completa 20 anos de luta e os atingidos comemoram a
resistência nacional, mas também denunciam que estas
empresas não tem compromisso com a população atingida e nem
com seus operários. Recebem altas taxas de lucro que levam
para seus países e o povo da região fica com os problemas
sociais e ambientais.
O MAB vem
a público exigir o fim da violação dos direitos humanos em
barragens e esperamos que as reivindicações por melhores
condições de trabalho e vida dos operários sejam atendidas.
Água e
energia não são mercadorias!
Coordenação Nacional
Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) |