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17.07.2009
Declaração do Seminário Internacional dos Atingidos
O Seminário Internacional
aconteceu nos dias 10 e 11 de julho e contou com a presença
de 120 pessoas, representando 47 entidades nacionais e
internacionais, e organizações de atingidos por vários
projetos, entre eles, atingidos por barragens, empresas
mineradoras, extração de petróleo e gás. Também estiveram
presentes os atingidos pela transposição do Rio São
Francisco, pescadores atingidos pelas barragens do Madeira,
atingidos pela usina nuclear de Angra dos Reis e os
quilombolas do Vale do Ribeira, entre outros. O evento foi
organizado pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)
e pelo Núcleo de Direitos Humanos da Fase, aconteceu na
Universidade Federal do Rio de Janeiro e teve como objetivo
reunir os atingidos para debater e traçar estratégias de
ação frente ao atual modelo de desenvolvimento.
Segue, abaixo,
a declaração do seminário.
Nós, mais de 120 pessoas, de
47 organizações, de seis países, atingidos e lutadores
contra os grandes projetos de acumulação privada, e
ativistas por um outro projeto de sociedade reunidos no
Seminário Internacional dos Atingidos,
Consideramos que o modelo de
desenvolvimento capitalista neoliberal na América Latina,
monopolizado pelo capital financeiro, pela metalurgia,
energia, agronegócio e construtoras que, atualmente,
impulsionam os governos da região e os Estados como
organizadores e viabilizadores desta intervenção, se
encaminha a privilegiar a máxima ganância, acumulação e
concentração do capital sob o esquema de um desenvolvimento
que facilita a apropriação dos recursos estratégicos nas
mãos de poucas corporações transnacionais e os grandes
grupos empresariais nacionais. Neste marco, cresce a
tendência à privatização da água, da energia, do petróleo,
dos recursos naturais, de nossa biodiversidade, das
florestas, entre outros.
A construção e exploração de
grandes projetos como os de barragem, minério, siderurgia,
monocultura, agronegócio, petróleo e outras obras de
infra-estrutura causam danos irreversíveis ao meio ambiente,
intensificam de forma violenta a expulsão de camponeses,
indígenas, quilombolas, pescadores e ribeirinhos, etc., de
suas terras e de suas comunidades locais de origem para os
cinturões de miséria e periferias das cidades, impedindo a
continuidade de suas atividades tradicionais de trabalho,
que compõe sua identidade.
As experiências adquiridas
nestes dois dias de intercâmbios sobre violação de nossos
direitos e expropriação de nossas formas de vida nos
identificam como atingidos deste modelo de
desenvolvimento capitalista.
Por
isso reafirmamos:
-
Que os grandes projetos de
interesse das corporações econômicas, geram concentração
da riqueza e ao mesmo tempo são os principais
responsáveis da miséria e a destruição ambiental.
-
Que somos contra a
construção de todos os projetos que geram destruição
social, ambiental, cultural, entre outras conseqüências.
-
Que somos contra a
construção de projetos que não tenham sido aprovados
pelas populações atingidas, depois de um processo
devidamente informado e participativo, e que não
satisfaça as necessidades e os direitos priorizados
pelas mesmas comunidades.
-
Acreditamos em um
projeto de desenvolvimento justo, igualitário e
sustentável, que respeita às comunidades, as populações
e o ser humano.
-
Exigimos acabar com uso
de toda forma de violência e criminalização contra as
pessoas e comunidades que, por direito legítimo, se
opõem e resistem a estes projetos.
Tudo
isso nos coloca e nós colocamos os seguintes desafios
comuns:
-
Intensificar nossas
lutas, troca de experiências, campanhas e ações contra
os grandes projetos;
-
Intensificar os
intercâmbios entre atingidos, ativistas e movimentos;
-
Fortalecer nossos
movimentos articulando-os com outros nacionais e
internacionais que lutam contra os projetos de
desenvolvimento neoliberal capitalista;
-
Pesquisar e divulgar as
estratégias e dinâmicas utilizadas por nossos inimigos
comuns;
- Disputar
no âmbito da sociedade ampliada, nos espaços de formação
e de opinião, a construção de um projeto de sociedade
justa, sustentável, igualitária, e socialista.
Somos todos atingidos, por
isso lutamos unidos!
MAB
MPA
MMC
MST
MTD
AMIGOS DA TIERRA
CENTRO UNIVERSITARIO UNIABE
CIMI
CMP - CEARÁ
COLONIA DE PESCADORES – Z1
COMITE DE SOLIDARIDADE
INTERNACIONALISTA
Conselho
indigenista missionário
CONSULTA POPULAR
CPT
ENTIDADE NACIONAL DE
ESTUIANTES DE BIOLOGIA
Equipe Educação Popular
Panuelos em Rebeldia - Argentina
Estudantes da USP - IEE
FASE
FMLN-EL SALVADOR
FOBOMADE (FORO BOLIVIANO SOBRE
MEDIO AMBIENTE Y DESARROLLO)
FUNDAÇÃO FORD
FUNDAÇÃO HENRICH BÖLL
FUNDAÇÃO ROSA DE LUXEMBURGO
FUNPROCOP-EL SALVADOR
FURC
FUrc – Federação Universitária
de Rio Cuarto - Argentina
IBASE
INSTITUTO POLITICO ALTERNATIVO
PARA O CONESUL
IPPUR
MAD
MCP
MLAL
MOAB – São Paulo
MOVIMENTO JURUTI EM AÇÃO
MTM – Movimento dos
Garimpeiros e Trabalhadores da Mineração
MUSEU NACIONAL
REDE SOCIAL
REDLAR
SINERGIA – Santa Catarina
SINPRO
STR de Santa Maria da Boa
Vista de Itaparica
TERRA DE DIREITOS
UFRJ
UNEAFRO
UTR-
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