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17.09.2009
Nota do MAB sobre a CPI
da Aneel

Os altos
preços da energia elétrica estão sendo investigados por uma
Comissão Parlamentar de Inquérito, a CPI da Aneel. Um dos
focos da investigação da comissão é a atuação da Agência
Nacional de Energia Elétrica (Aneel) na autorização dos
reajustes e reposicionamentos tarifários. O principal
argumento usado é de que a tarifa média de energia elétrica
no Brasil é maior do que em nações do chamado G7, grupo dos
sete países mais desenvolvidos do mundo.
Atualmente, cerca de 90% da energia elétrica gerada é de
origem hídrica, ou seja, deveríamos estar pagando um das
tarifas mais baratas do mundo. Para o MAB (Movimento dos
Atingidos por Barragens) não há dúvidas de que os preços das
tarifas de energia elétrica são abusivos. Após as
privatizações, o setor elétrico vem sendo dominado por
grandes multinacionais que elevaram os preços aos padrões
internacionais, e passaram a cobrar a tarifa como se
estivéssemos produzindo energia térmica. Este modelo esta
gerando lucros extraordinários aos controladores da energia
elétrica brasileira, enquanto o povo brasileiro paga a
conta.
O MAB
exige publicamente uma investigação séria e profunda de
todas as questões centrais do atual modelo energético. A
saber, os contratos dos consumidores livres, os subsídios
das estatais às eletrointensivas, o atual formato de
definição dos preços, a atuação da Aneel em todo este
processo, as irregularidades das empresas privadas, das
empreiteiras construtoras de barragens e suas fraudes, os
financiamentos do BNDES, entre outros. Todas essas
irregularidades que permeiam o setor elétrico brasileiro
foram denunciadas pelo MAB e demais organizações e
movimentos sociais através da campanha nacional “O preço da
luz é um roubo”. É preciso que o povo brasileiro saiba o
quanto tem sido vítima deste modelo energético.
Todos nós
sabemos que o atual modelo energético penaliza o povo
brasileiro, apropria-se dos recursos naturais e das
pesquisas feitas pelo setor público e favorece as
multinacionais da energia e do setor eletro intensivo
exportador. Além disso, o lobby dessas empresas tem sido
muito forte. O financiamento de campanhas eleitorais pelos
chamados ‘donos da energia’, como revelou a operação Castelo
de Areia, da Polícia Federal, foi um desses casos.
Diante
disso manifestamos:
-
Que a
Comissão Parlamentar de Inquérito da Aneel, se for
séria, será efetivamente um instrumento para esclarecer
sobre valores das tarifas de energia elétrica no Brasil
e sobre a atuação da Aneel na autorização dos reajustes
tarifários;
-
Que os
interesses do povo brasileiro sempre devem estar acima
de quaisquer interesses eleitorais e financistas entre
as empresas privadas e seus representantes do congresso
federal;
-
Que o
preço da energia para as residências deve ser baseado no
custo da produção real e não na especulação financeira.
Tampouco pode estar sob controle de grandes grupos
econômicos internacionais;
-
Que a
sociedade civil brasileira e os movimentos sociais
estarão em alerta para o andamento da CPI e monitorando
o posicionamento dos parlamentares;
-
Que
continuaremos nossa luta contra os altos preços da
energia e contra todas as injustiças cometidas pelo
atual modelo energético;
-
Que a
soberania energética deve estar calcada nos princípios
da democracia e da descentralização, com a defesa do
meio ambiente e a participação popular no planejamento,
na tomada de decisões e na gestão da produção e
distribuição de energia elétrica;
Por fim,
manifestamos que a água e a energia não devem ser
consideradas mercadorias, já que são essenciais à soberania
do povo brasileiro.
Coordenação Nacional do Movimento dos
Atingidos por Barragens |