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17.11.2009
Famílias atingidas por
barragens em SC e RS reclamam que não serão indenizadas
Fonte: Agência Chasque
As 3.500
famílias que serão atingidas pela construção das barragens
da Foz do Chapecó, junto ao Rio Uruguai, nos municípios de
Alpestre, no Rio Grande do Sul e Águas de Chapecó, em Santa
Catarina, temem não serem indenizadas pelos responsáveis
pelas obras. O consórcio, formado pelas empresas Camargo
Correa, Votorantin e Bradesco, detém 51% das ações para a
construção dos empreendimentos. Já Furnas, detém 41%.
O
principal consórcio reconhece que apenas 2.700 famílias
terão direito a indenizações. Entretanto, um levantamento do
Movimento dos Atingidos por Barragens da região, aponta que
o número de famílias chega a 3.500, pois existem muitos
pescadores no local. Conforme Rodrigo Zancanaro, da
coordenação do MAB, em março de 2010, as hidrelétricas devem
entrar em funcionamento, com a construção de um lago que
inundará a região. Mas, muitas famílias ainda não têm
garantias que serão indenizadas. Zancanaro diz que o
consórcio não reconheceu o direito de famílias de pescadores
artesanais que, com as barragens, ficam impedidos de pescar.
“Tem mais
de 150 famílias de pescadores que vão sofrer, pois o rio
(Rio Uruguai) vai secar. É aquilo que a gente chama de volta
grande, em função do desvio do Rio Uruguai para túneis, e os
pescadores vão perder e a empresa não tem nada de concreto
para apresentar para essas famílias. Além disso, tem mais de
400 famílias, entre depósito judicial e casos negados, que a
empresa não apresentou nenhum tipo de solução para essas
famílias, a não ser um programa chamado Novo Rumo, no qual
as famílias se negam a participar em função de não ser uma
indenização, mas sim, apenas uma forma de a empresa envolver
as famílias em programas e depois não dar continuidade. As
famílias continuam com o problema de não ter área para
plantar e produzir o seu alimento”, relata.
Rodrigo
Zancanaro explica que alguns moradores já receberam uma
espécie de depósito judicial, pois não entraram em acordo.
Além disso, ele afirma que o Movimento dos Atingidos por
Barragens pediu ao Ministério de Minas e Energia que não dê
a licença de operação sem que os problemas sejam resolvidos.
Conforme Zancanaro, as empresas oferecem propostas de
indenização que não estão de acordo com o interesse dos
atingidos. A primeira garantia oferecida pelo consórcio é
uma indenização em dinheiro ou carta de crédito, com valores
insuficientes para que as famílias comprem outras
propriedades.
“Algumas
famílias tem comprado as terras, mas como pegaram as piores
áreas acabaram voltando. Tem famílias que estão voltando,
abandonaram as terras que conseguiram comprar com carta de
crédito ou dinheiro, e estão voltando pois não conseguiram
sobreviver nessas áreas”, explica.
O MAB pede
também que o consórcio compre áreas nas regiões dos
municípios de Nonoai, Erval Grande e Rio dos Índios, no Rio
Grande do Sul, para fazer o reassentamento das famílias que
serão atingidas pelas barragens. |