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18.02.2010
Cutrale é acusada de
explorar trabalhadores
Na última
quinta-feira (11/2), o Ministério Público do Trabalho (MPT)
acionou a Justiça de Araraquara (interior de SP) com um
pedido de liminar contra as indústrias de suco de laranja
Cutrale, Louis Dreyfous, Citrovita e Fischer. As empresas
são acusadas de explorar a mão-de-obra terceirizada na
colheita da fruta.
A ação foi
endossada por sete procuradores de diferentes regiões do
estado, e quer acabar com a terceirização do trabalho da
colheita de laranja em todo o país, além de exigir o
pagamento de uma indenização de R$ 400 milhões aos
trabalhadores terceirizados.
"Os
trabalhadores, em todos esses anos, ou ficaram sem registro
contratual trabalhando ou com registro, mas com condições
precárias de trabalho, sem qualquer equipamento de produção
individual, sem instalações sanitárias e sem as pausas, que
são tão necessárias para esse trabalho. Tudo isso por
conta de um sistema que se transferiu para o pequeno e o
médio produtor a responsabilidade trabalhista, embora a
laranja já seja de propriedade das indústrias", explica
Cássio Dalla-Déa, procurador do Trabalho.
A
resistência por parte das empresas em rever as
terceirizações também é relatada no processo. “Em todo esse
tempo, em nenhum momento, as indústrias assumiram quaisquer
responsabilidades trabalhistas, ignorando as autoridades que
regem a matéria trabalhista”, afirmam os procuradores.
O processo
correrá na Justiça do Trabalho de Matão, na região de
Araraquara. Há dez anos o Ministério Público do Trabalho
investiga o setor de citricultura no Estado. Em 2008, a
Justiça do Trabalhou de Taquaritinga (na região de Ribeirão
Preto), concedeu liminar contra as empresas, ordenando o fim
das terceirizações. Os empresários, no entanto, conseguiram
um mandado de segurança e o processo permanece em
julgamento.
“A
pretensão do MPT está em harmonia com o anseio de centenas
de milhares de trabalhadores, dos milhares de produtores
rurais, da Justiça do Trabalho e, sobretudo, da lei”,
completam os procuradores. Se a ação for julgada procedente,
as empresas terão de admitir diretamente os colhedores, sem
intermediários. Com isso, 200 mil trabalhadores seriam
legalmente contratados. |