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18.03.2008
Construção da
usina de Estreito é debatida com MPF
Movimentos sociais que integram a Via Campesina, MPF (Ministério
Público Federal), Ibama e Ceste (Consórcio Estreito Energia)
estão reunidos desde às 9h da manhã de hoje para chegar a uma
decisão sobre a situação que agustia comunidades ribeirinhas e
quilombolas do Maranhão e Tocantins.
Há sete
dias 400 pessoas ocuparam o canteiro de obras da usina
hidrelétrica de Estreito, no município de mesmo nome, no
Maranhão. Com a ocupação, os movimentos sociais exigem a
paralisação das obras da usina e das demais a serem construídas
pelo Ceste (Consórcio Estreito Energia) ao longo do rio
Tocantins, para que seja feito um novo levantamento de impacto
ambiental, pois o realizado anteriormente omite que cerca de 20
mil pessoas serão atingidas diretamente pela barragem, além de
comunidades quilombolas do Bico do Papagáio.
O Ceste,
é formado pelas empresas Vale, Alcoa Alumínio, Billiton Metais (BHP),
Camargo Corrêa Energia, e Tractebel. A hidrelétrica com potência
de 1.087 MW, se construída, vai formar um lago de 555 km², e
inundará uma área de 400 km². Serão 21 municípios afetados.
A
reunião de hoje definirá o futuro da ocupação e das populações
que poderão ser afetadas pela usina. Os movimentos exigem que o
Ceste cumpra um amplo acordo ambiental que conserve as áreas ao
redor da usina e as atividades das comuidades que dependem da
preservação do ecossistema da região. Caso contrário, que as
obras sejam paralisadas imediatamente para que a população
discuta o projeto.
No
momento, 1.800 pessoas mantêm a ocupação. Há cinco dias foi
emitido um mandato de reitegração de posse para a Ceste, porém
seu cumprimento depende dos resultados da reunião de hoje. Os
movimentos planejam realizar um assembléia logo após a reunião
para decidir o rumo da mobilização.
Vários
políticos e personalidades apóiam a ação dos movimentos. O chefe
de gabinete do senador José Nery (P-Sol), Luiz Araújo, está no
município de Imperatriz para participar da reunião. Quem também
se posicionou contra a barragem de estreito é a ONG Humanos
Direitos, na qual participam atores da rede Globo, como Letícia
Sabatela. Ela e outros atores gravaram, no período de outra
manifestação ocorrida em 2007, um vídeo prestando apoio às
manifestações e alertando sobre os impactos nas comunidades
tradicionais dos vários municípios que serão atingidos (Disponível
aqui)
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