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18.03.2010
Atingidos por barragens
continuarão mobilizados rumo a Brasília
Nesta
semana, os atingidos por barragens organizados no MAB
(Movimento dos Atingidos por Barragens), estiveram acampados
em várias regiões do país, como parte da Jornada do Dia
Internacional de Luta contra as Barragens. Eles denunciaram
a violação dos direitos dos atingidos no processo de
implantação de barragens, cobraram a dívida que as empresas
e governos têm com esta população e exigiram o cancelamento
da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, entre outras barragens
projetadas para os rios brasileiros.
A maioria dos acampamentos finalizou suas
atividades hoje (18), mas os atingidos devem seguir
mobilizados e preparando o Encontro Nacional da Juventude,
pelos direitos dos atingidos e por um projeto energético
popular, previsto para acontecer entre os dias 8 e 12 de
abril, em Brasília. “Os atingidos saíram muito animados dos
acampamentos e dispostos a construírem a atividade nacional.
Lutaremos pelos nossos direitos até que tenhamos condições
mais dignas para viver”, declarou José Josivaldo Alves, da
coordenação nacional do MAB.
Os dois
acampamentos de Minas Gerias, nas áreas das barragens de
Fumaça e Aimorés, serão permanentes, já que lá 1900 famílias
atingidas ainda não foram reassentadas. As famílias do
acampamento de Fumaça estão indignadas com a truculência da
polícia na região. Ontem (17), policiais invadiram o
acampamento e revistaram todos os barracos e pertences dos
acampados, sem mandado de busca e apreensão. Isso aconteceu
no momento em que parte dos militantes estavam em uma
atividade na cidade de Mariana, onde faziam a denúncia da
violação dos direitos humanos sofridas pelos atingidos por
barragens no estado.
Em
Tocantins, os atingidos pela Usina Hidrelétrica de Estreito,
acampados há nove meses próximo ao canteiro de obras da
barragem, assim devem permanecer. O MAB acusa o consórcio
Ceste, responsável pela obra, por não garantir suporte e
compensação à população atingida. “O consórcio é formado
pelas empresas Suez, Vale, Alcoa, BHP Billiton Metais e
Camargo Corrêa Energia. São todas transnacionais que não se
importam com a vida das pessoas, apenas com o lucro que a
usina vai gerar, por isso não vamos arredar o pé”, afirmou
Cirineu da Rocha, coordenador do MAB.
Conquistas
Como
resultado da jornada de lutas, os acampamentos tiveram
conquistas como audiências com as empresas construtoras das
barragens e cadastramentos das famílias atingidas que
ficaram sem terra. Na região sul, o INCRA cadastrou quase
mil e quinhentas famílias. Nessa região os números tendem a
aumentar, porque o cadastramento do INCRA continuará em
todos os municípios atingidos pelas barragens. Lá os
agricultores também fortaleceram o debate sobre o Projeto de
Recuperação e Desenvolvimento das comunidades e municípios
atingidos pelas barragens, no sentido de irem elaborando
projetos para produção de alimentos, a serem apresentados ao
BNDES, principal financiador das usinas da região.
Em
Sobradinho, após a ocupação do escritório da Companhia
Hidroelétrica do São Francisco – CHESF pelos atingidos por
barragens do Rio São Francisco, este órgão assumiu o
compromisso de receber uma comissão do MAB em audiência no
dia 24/3, em Recife, sede da companhia. “A audiência
representa a abertura de um canal de negociação, onde serão
cobrados o pagamento dos direitos das famílias atingidas
pelas barragens de Sobradinho e Itaparica; a suspensão dos
projetos de construção das hidrelétricas de Riacho Seco e
Pedra Branca; e a paralisação das obras de Transposição do
Rio São Francisco”, afirmou Nívea Diógenes, da coordenação
do MAB na região.
Já em Rondônia, os atingidos por barragens
foram recebidos ontem (17) pelo Consórcio Enersus, formado
pelas empresas GDF Suez, Chesf, Eletrosul e Camargo Corrêa.
Esta é a primeira vez que o consórcio recebeu os atingidos
em audiência desde que chegou na região. “A obra já está
avançada e muitas famílias já foram expulsas. Continuaremos
mobilizados para garantir nossas conquistas, também queremos
que as estatais do setor elétrico assumam sua parte de
responsabilidade. Com relação à reunião de ontem com a
Enersus, demos um prazo de 10 dias para eles nos
apresentarem propostas, caso isso não acontecer, nosso
acampamento em Mutum Paraná será permanente”, afirmou Océlio
Muniz, da coordenação do MAB no estado. |