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18.03.2011
MAB denuncia violação de
direitos humanos na barragem de Estreito
Empresas donas da Usina de
Estreito são as mesmas que maltratam operários na Usina de
Jirau
FOTO:
Marcha realizada pelos atingidos pela
barragem de Estreito,
em agosto de 2010
Na
tarde de hoje (18/03), o Movimento dos Atingidos por
Barragens (MAB) formalizou uma denúncia na Secretaria dos
Direitos Humanos de que, com o fechamento das comportas da
Usina Hidrelétrica de Estreito, entre Tocantins e Maranhão,
para a formação do lago da barragem, famílias que, segundo o
Consórcio Ceste, não seriam atingidas agora encontram-se
desamparadas, com a água entrando em suas residências.
A situação
dos moradores é desesperadora e eles afirmam que o Consórcio
responsável, formado pelas empresas transnacionais Vale,
Alcoa, Camargo Corrêa e Tractebel Suez, erraram nas medições
e áreas que não estavam previstas para serem alagadas, agora
já estão submersas ou ficarão nos próximos dias. As empresas
Camargo Corrêa e Suez são as mesmas que em Rondônia deixam
os operários da usina hidrelétrica de Jirau em condições
desumanas de trabalho e de vida. Desde a última terça-feira
os operários de Jirau estão mobilizados.
“Durante
todas as audiências públicas realizadas no município de
Barra do Ouro, em Tocantins, o consórcio sempre deixou claro
que os povoados a beira rio não seriam atingidos. No
entanto, no início do ano, uma equipe do consórcio alojou-se
na cidade e iniciou o levantamento de todo o povoado, sem
sequer discutir conosco o porquê de tal medição de última
hora”, afirmam os atingidos.
A situação
agravou-se depois da conclusão dos levantamentos, quando os
representantes do consórcio começaram a ameaçar as famílias
para que assinassem os acordos de desocupação. Inúmeros
proprietários não foram procurados sob a alegação de que
suas propriedades não sofreram os impactos da usina e hoje
já estão isolados, sem colégio, água, igreja e vizinhança.
“Eles
deram o prazo de 24 horas para nós sair e se não saísse, nós
iria ser multado em até 27 mil reais e seria retirado por
força policial”, declarou uma moradora. Ela conta que há
cerca de 20 dias sua comunidade foi desocupada a força e as
casas foram destruídas. Com um caminhão, a empresa
transportou os pertences dos moradores, contrariando a
vontade dos mesmos, que tiveram que deixar os animais, as
fruteiras e muitas outras coisas pessoais. Segundo o relato,
no dia da desocupação chovia muito e molhou toda a mudança
das famílias, que agora vivem em kitnets, na casa de
parentes e/ou em casas alugadas.
O MAB
espera que a Secretaria de Direitos Humanos tome medidas
urgentes para impedir que mais um desastre social aconteça
em construção de barragens, agravando a situação de violação
dos direitos humanos, explícita em todos os locais onde se
constroem barragens e exposta no Relatório da Comissão
Especial “Atingidos por Barragens”, do Conselho de Defesa
dos Direitos da Pessoa Humana. |