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18.04.2008
Deserto verde
ameaça o Estado
O
Estado do Rio Grande do Sul (RS) vem sofrendo com a degradação
ambiental e social, devido à monocultura de eucaliptos, para
fins de celulose e energia. As grandes empresas estrangeiras se
instalam no Brasil, especialmente no RS, devido ao clima
favorável da região e o incentivo fiscal e financeiro.
Com o
clima favorável do RS, as plantas exóticas, como eucalipto e
pinus, se desenvolvem rapidamente e com isso aumenta a
produtividade. O eucalipto pode ser colhido em apenas sete anos
para a produção de celulose, quando atinge até 35 metros de
altura. Tem o dobro da produtividade das espécies de matas
nativas. As raízes do eucalipto atingem grandes profundidades em
busca de nutrientes minerais, com isso acaba absorvendo grande
quantidade de água chegando até 30 litros diariamente.
Os
impactos do chamado deserto verde implantado no Estado são
secamentos de rios, fontes de água, a devastação do solo, que
chega a plena destruição do meio ambiente. Os poucos empregos
gerados são para mão-de-obra especializada nas fábricas. Cidades
e regiões gaúchas estão sofrendo com a estiagem agravada pela
monocultura de eucalipto como, Bagé, Alegrete, Fronteira Oeste,
Encruzilhada do Sul entre outras.
O
agricultor Leandro Noronha de Freitas reside em Encruzilhada do
Sul, região afetada pela estiagem. Ele mora em frente à Fazenda
Bota, que está coberta de eucaliptos. Antes da monocultura, as
propriedades eram destinadas ao plantio de alimentos, como
arroz, feijão, e pastagem para gado em geral. Hoje, essas terras
servem para fins de celulose e energia. Essas produções são
exportadas para fora do Estado, que paga os impostos. “A
multinacional vem iludindo os pequenos agricultores que o
plantio gera desenvolvimento e renda, oferecendo aos pequenos
produtores a Poupança Florestal, alternativa de renda para
incentivo do plantio”, afirma Freitas. Ele lembra que o plantio
se expandiu em 20 hectares em apenas dois anos, e as
conseqüências são sérias, como o surgimento de vários predadores
como o cachorro selvagem e outros, que atacam os animas das
pequenas propriedades. As empresas jogam frascos e vidros, lavam
ferramentas e pulverizadores de inseticidas que foram usados
para combater os insetos no plantio, em fontes, rios e córregos
de água, sendo que a mesma é utilizada para abastecer as
famílias e animais que vivem na região. Segundo Freitas, as
empresas começam o plantio nas redondezas das áreas e quando a
plantação tiver num porte alto, passam a plantar no centro das
mesmas, para que ninguém os veja.
Segundo
o professor de Biologia, Dr. Paulo Brank, da Universidade
Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), mais de 90% da celulose
das três gigantes multinacionais Stora Enzo, Aracruz,
Votorantin, será pasta para celulose para exportação. “O papel
será feito no primeiro mundo e as terras esgotadas e a poluição
ficarão por aqui. O capital internacional viu que as terras aqui
são baratas, as pessoas estão largando suas lidas no campo para
arrendar ou vender suas terras”, afrima Brank. O projeto das
três empresas é de plantar mais de 1 milhão de hectares de
monoculturas de árvores exóticas para alimentar o crescimento
infinito do consumo de papel. Brank acredita que se for
diminuído o consumo de papel, o que a terra agradeceria, as
empresas vão faturar menos e que estas monoculturas estão
gerando o aumento do êxodo rural e a insustentabilidade
financeira do agricultor ou pecuarista no Uruguai, Chile,
Brasil.
Afirma
o biólogo que as empresas citadas visam o seu crescimento de
forma ilimitada, o que ele chama de hipertrofia ilimitada de
capital concentrador e excludente, que destrói a diversidade,
cultura e natureza diversa para padronizar a grande escala de
consumo e produção. Diz, ainda, que isso está levando a terra a
sucumbir os mais elementos princípios da vida. Brank critica os
danos contra a sócia biodiversidade, pelo esgotamento da
capacidade de suporte dos ambientes naturais, que sofrem mais
com a expansão da fronteira da monocultura, seja ela da
silvicultura ou de outras culturas em grande escala.
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A
presença das empresas de celulose e papel no Estado |
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Aracruz |
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Quando chegou? |
Julho de
2003, através da aquisição da Riocell da Klabin |
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Quanto já investiu? |
US$ 700
milhões |
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Áreas de floresta atual |
110 mil
hectares, incluindo áreas de preservação permanente e
reserva legal e também contratos com produtores florestais |
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Onde está? |
Arroio dos
Ratos, Barão do Triunfo, Barra do Ribeiro, Butiá,
Cachoeira do Sul, Camaquã, Cerro Grande do Sul,
Charqueadas, Dom Feliciano, Eldorado do Sul, Encruzilhada
do Sul, General Câmara, Guaíba, Mariana Pimentel, Minas do
Leão, Pantano Grande, Porto Alegre, Rio Pardo, São
Jerônimo, Sentinela do Sul, Sertão Santana, Tapes, Triunfo
e Viamão |
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Com o projeto de expansão
planejado pela empresa, a Aracruz irá atuar também em
Amaral Ferrador, Caçapava do Sul, Lavras do Sul, São
Gabriel, São Lourenço do Sul, Santa Margarida do Sul, São
Sepé e Vila Nova do Sul. |
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Stora Enso |
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Quando chegou? |
Setembro de
2005 |
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Quanto já investiu? |
Dado não
fornecido. Em 2005, estimava-se ser necessário um
investimento de US$ 1 bilhão para iniciar a produção de
celulose |
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Áreas de floresta atual |
9 mil
hectares plantados |
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Onde está |
Alegrete,
Cacequi, Itaqui, Maçambará, Manoel Viana, Rosário do Sul,
São Borja, São Francisco de Assis, São Gabriel, São
Vicente do Sul e Unistalda |
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Votorantim
Celulose e Papel (VPC) |
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Quando chegou? |
Segundo
semestre de 2003 |
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Quanto já investiu? |
US$ 250
milhões na área florestal, incluindo viveiro, aquisição de
terras e maquinário |
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Áreas de floresta atual |
48,7 mil
hectares: 37,7 mil próprios e 11 mil hectares por
produtores participantes do programa Poupança Florestal. A
previsão é chegar a 140 mil hectares até 2011 |
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Onde está? |
Em 27
municípios. Em Capão do Leão, instalará o maior viveiro
coberto da América Latina (27 ha). Disputam a localização
da fábrica Arroio Grande, Capão do Leão, Cerrito, Pedro
Osório, Pelotas e Rio Grande |
Por:
Patrícia Prezzoto
Estudante de Jornalismo do
IPA
Militante do MAB
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