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18.05.2010
Usinas do Rio Madeira,
GDF-SUEZ, Santander e Banif são condenadas
pelo Tribunal
Permanente dos Povos, em Madri
As
empresas transnacionais Santander (Espanha), Banif
(Portugal) e GDF-Suez (França e Bélgica), integrantes dos
consórcios que estão construindo as UHE’s Santo Antônio e
Jirau, no Rio Madeira, foram denunciadas e condenadas pelo
IV Tribunal Permanente dos Povos, realizado em Madrid de 13
a 17 de maio deste ano.
O
Movimento de Atingidos por Barragens (MAB), o FOBOMADE
(Bolívia) e o SETEM (Espanha), baseados nas ações do
Ministério Público Federal e Estadual, na medida cautelar
que tramita na Corte Interamericana de Direitos e nos
impactos que já estão ocorrendo durante a construção das
obras denunciaram as obras como um ECOCÍDIO, em conseqüência
da destruição do Rio Madeira, da Amazônia e de recursos
vitais para os povos ribeirinhos e indígenas.
Na
sentença proferida o Tribunal condenou a atitude do
Santander, do Banif e da GDF-SUEZ, pelas “graves, claras e
persistentes violações dos princípios, normas, convênios e
pactos internacionais que protegem os direitos civis,
políticos, econômicos, sociais, culturais e ambientais das
pessoas”.
O Tribunal
reconheceu também a cumplicidade da União Européia pela
geração de graves impactos negativos sobre a qualidade de
vida das comunidades atingidas pelas usinas hidrelétricas e
pela privação de recursos básicos necessários para uma vida
digna, que em alguns casos podem ser considerados crimes
contra a humanidade.
Por fim, a
sentença também condenou a atitude da França, Portugal,
Espanha e Bélgica, estamos membros da União Européia onde as
empresas denunciadas têm as suas sedes, pela suas políticas
de apoio incondicional as mesmas através de diversos meios
analisados, fazendo destes estados cúmplices das violações
de direitos humanos que as empresas cometem.
A
condenação do Tribunal Permanente dos Povos é ética, moral,
popular e política. A iniciativa, do Grupo Enlazando
Alternativas, não tem caráter vinculante e impositivo.
Contudo, isso não exclui a possibilidade de realizar
litígios em tribunais nacionais e internacionais.
O Tribunal
Popular Permanente é um órgão estatutário da Fundação
Internacional Lélio e Lisli Basso Issoco (Itália), criado em
junho de 1979 e é historicamente ligado ao Tribunal Russell
I e II, que julgaram os crimes da guerra do Vietnã e das
Ditaturas Latino Americanas. O Tribunal se fundamenta no
"direito dos povos" e nas suas necessidades. A sentença será
enviada para os principais organismos internacionais de
Direitos Humanos da ONU e da Comunidade Europeia. |