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18.08.2009
MAB participa de reunião
com governo e movimentos sociais
Uma
comissão interministerial, formada após as mobilizações da
jornada de lutas unificada, recebe o MAB (Movimento dos
Atingidos por Barragens), o MST e demais movimentos da Via
Campesina em audiência hoje (18/08), às 14h30min, no Centro
Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Brasília, para
apresentar a proposta do governo em relação à pauta de
reivindicação dos trabalhadores rurais.
Durante o
acampamento, o MAB protocolou uma carta ao Ministro Luiz
Dulci e ao presidente Lula, propondo a criação de uma
Comissão que possa elaborar diretrizes e critérios a serem
adotados nas obras do setor elétrico nacional, em especial
na construção de barragens. O Movimento ainda não recebeu
uma resposta positiva em relação a esta proposta.
O
objetivo, segundo o MAB, é criar uma política social de
tratamento às populações atingidas por barragens, já que, no
Brasil, não há uma legislação que assegure e estabeleça
quais são os direitos dos atingidos por barragens, nem há um
órgão público encarregado de realizar as indenizações e
reassentamentos dos atingidos. Sendo assim, há muitos casos
de indenizações injustas e de desrespeito aos direitos
humanos no processo de instalação de uma barragem.
“Em todos
os estados os atingidos ficam a mercê das empresas donas da
barragem, que estão interessadas somente no lucro e não nos
direitos humanos. Não podemos deixar esta situação
continuar. É por isso que nós não queremos somente resolver
os problemas do passado, e sim criar uma nova política”,
afirmou a coordenação nacional do MAB.
O próprio
presidente Lula, em discurso durante o lançamento do Plano
Safra da Agricultura Familiar, em Brasília, admitiu ter
dívidas com o MAB. Segundo o presidente, durante muito tempo
se construiu hidrelétricas no país sem que os atingidos
recebessem indenizações e reassentamentos.
“Esse (o
MAB) é um movimento que eu pedi para o companheiro Dulci
conversar e ver qual é a dívida que o Estado brasileiro tem
com eles, porque certamente nós temos dívidas com eles.
Durante muito tempo se construiu hidrelétricas, se prometia
dar casas, e não veio as casas e não veio as terras”,
reconheceu o presidente. Lula afirmou ainda que não quer
deixar o governo sem pagar essa dívida histórica que o
Estado tem com os atingidos por barragens.
Na
proposta do MAB, algumas questões centrais devem ser objeto
de estudo da Comissão. A saber: estabelecer o conceito de
atingido; estabelecer quais são os direitos dos atingidos e
as formas de garantir esses direitos; que se realize um
amplo levantamento dos problemas sociais e ambientais da
sobras construídas; etc. |