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19.05.2010
Modelo econômico é
incompatível com preservação ambiental
Por Comunicação CPT
A
Plenária Geral do segundo dia do Congresso Nacional da CPT
teve início com a análise da conjuntura política brasileira,
assessorada pelo pesquisador do Centro de Pesquisa e Apoio
aos Trabalhadores (CEPAT), César Sanson.
O
pesquisador destacou a importância de se debater as questões
ambientais, que estão diretamente ligadas às questões
econômicas e sociais do país na atualidade.
"Os
problemas ambientais enfrentados hoje pela humanidade são
uma das mais graves consequências do modelo econômico, e
expressam as contradições e a inviabilidade da continuação
do modelo de produção existente hoje no Brasil e no mundo",
afirmou.
Na análise
ressaltou-se ainda que hoje existe no país um fortalecimento
cada vez maior de um estado neo-desenvolvimentista, que
investe e financia grandes projetos de desenvolvimento a
qualquer custo, tendo programas de mitigação da pobreza
apenas para compensar a população atingida pela concentração
de terras e de riqueza, mas que mascaram a necessidade de
modificações do modelo de produção que explora os
trabalhadores e os recursos naturais.
Os
trabalhadores, trabalhadoras e os movimentos sociais são
hoje os principais protagonistas na construção de um projeto
popular que contraponha o atual modelo de produção, destacou
o pesquisador. Em depoimento durante a Plenária, o
quilombola Manoel Santana, da comunidade Charco, localizada
no município de São Vicente Ferrer (MA) mostrou o exemplo de
luta e resistência das comunidades tradicionais contra esse
atual modelo e relembrou a luta das 92 famílias pela
conquista do reconhecimento de seu território.
Para dar
continuidade aos debates do III Congresso Nacional da CPT,
os participantes seguem durante todo o dia de hoje
aprofundando os temas relacionados à questão ambiental e
eclesial e os desafios dos camponeses e camponesas diante do
contexto analisado.
Diversidade ecumênica-cultural
Uma
mistura de cores, ritmos, crenças, sotaques e culturas se
encontraram na celebração de abertura do III Congresso
Nacional da Comissão Pastoral da Terra, na noite desta
segunda-feira (17/05), no Colégio São José Marista em Montes
Claros (MG). Cerca de 900 participantes, entre
trabalhadores, trabalhadoras, religiosos, pesquisadores,
agentes pastorais e convidados vindos de todo o país,
prestigiaram a noite de acolhida.
A mística
inicial celebrou as lutas, a preservação dos territórios e
relembrou os Congressos anteriores da CPT, que buscaram, ao
longo de sua história, defender a cultura camponesa. Com o
tema "Biomas, Territórios e Diversidade Camponesa", e sob o
lema "No clamor dos povos da terra, a memória e resistência
em defesa da vida", é chegado o momento de refletir sobre os
novos desafios apontados por camponeses e camponesas para as
ações e presença da CPT nos próximos anos.
Os
trabalhadores rurais de Minas Gerais foram os primeiros a
saudar os visitantes, destacando a importância do Congresso.
A agricultora Laureci Ferreira Silva do assentamento Dois de
Junho (Olhos D'água) destacou a presença expressiva das
mulheres e dos jovens que vão dar mais força aos trabalhos.
Já
Cristovino, do assentamento Americano (Grão Mogol), fez
questão de alertar sobre a preservação do meio ambiente. "A
nossa vitória vai ser igual à nossa luta. Temos que lutar
cada vez mais e preservar o restinho dos biomas que ainda
existe, usar com consciência para que os nosso filhos também
tenham direito. A natureza não precisa de nós, é a gente que
precisa dela!", exaltou.
O
presidente Nacional da CPT, Dom Ladislau Biernaski
oficializou a abertura das atividades. "Nosso Congresso quer
ser de fato um espaço de comunhão, para refletir sobre
propostas que defendam nossos biomas, sobretudo, daqueles
que utilizam a terra para explorar e concentrar".
Dom
Ladislau destacou que "precisamos preservar e lutar por
nossos territórios, os nossos irmãos indígenas e quilombolas
também estão sendo ameaçados e não têm o direito à terra.
Enquanto isso, muitos querem destruir a diversidade,
investindo na produção de alimentos transgênicos e nas
transnacionais". |