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19.10.2009
Via Campesina recebe
prêmio nos EUA
Durante
a Conferência anual da Coligação da Segurança Alimentar
Comunitária (CFSC) celebrada em Des Moines, Iowa, entre 10 e
13 de outubro, a Via Campesina recebeu o prêmio 2009 da
Soberania Alimentar por sua incansável luta pela garantia de
alimentos aos povos do mundo e contra o desastroso sistema
neoliberal da agricultura industrial.
Diante de
centenas de delegados de diversos países, Dena Hoff, da
região da América do Norte, e Edgardo García, da região da
América Central, receberam o prêmio das mãos de Molly
Anderson, presidente da CFSC. Durante a entrega, Anderson
destacou o empenho mundial da Via Campesina na criação de um
sistema alimentício mais democrático, que possa resolver o
sério problema do aumento da fome no planeta.
Dena Hoff,
agricultora de Montana e dirigente da Coligação Nacional de
Granjeiros Familiares (NFFC), agradeceu em nome dos milhões
de camponeses, mulheres, povos indígenas, trabalhadores
rurais migrantes e jovens a distinção recebida, e reafirmou
o compromisso da Via Campesina em seguir trabalhando até
alcançar a soberania alimentar em todos os cantos do
planeta.
Edgardo
García, dirigente da Associação de Trabalhadores do Campo (ATC)
da Nicarágua, agradeceu a solidariedade dos presentes e os
convocou a levar a cabo transformações profundas através da
luta pela soberania alimentar, para assegurar que ninguém
passe fome, que a comida de que precisam os povos não esteja
em mãos das corporações ambiciosas que apenas buscam lucros,
e para criar sociedades verdadeiramente democráticas, mais
justas e dignas. García levantou o espírito da conferência
quando leu uma mensagem de Rafael Alegría, dirigente da Via
Campesina em Honduras e dirigente da Frente Nacional da
Resistência contra o Golpe, para chamar a solidariedade
concreta do povo norte-americano à heróica luta do povo
hondurenho.
“Este
prêmio”, disse García, “vai para Honduras a acompanhar a
luta camponesa e popular”.
Este
prêmio é o primeiro que a CFSC entrega durante sua
conferência anual. A decisão de outorgá-lo à Via Campesina é
um reconhecimento do pioneirismo da entidade por cunhar o
conceito de soberania alimentar como alternativa ao modelo
neoliberal que segue aumentando a fome, destruindo economias
camponesas e deslocando povos indígenas, e que levou ao
controle de alimentos por um punhado de corporações
multinacionais – culminando em uma crise que ameaça a toda a
humanidade. |