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19.10.2010
Mais de 500 mil pessoas
votam por limite à propriedade
Do Fórum Nacional pela
Reforma Agrária e Justiça no Campo
O Fórum
Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo entrega
hoje à sociedade brasileira o resultado do Plebiscito
Popular sobre o Limite da Propriedade, realizado de 1º a 12
de setembro de 2010.
Participaram deste plebiscito 519.623 pessoas, em 23 estados
brasileiros e no Distrito Federal. Só não participaram do
mesmo, Santa Catarina, Amapá e Acre que optaram por fazer o
abaixo-assinado, somente. Eram admitidas à votação pessoas
acima de 16 anos, portanto em condições de votar.
Duas foram
as perguntas formuladas às quais se devia responder sim ou
não.
A
primeira: Você concorda que as grandes propriedades de terra
no Brasil, devem ter um limite máximo de tamanho?
A segunda:
Você concorda que o limite das grandes propriedades de terra
no Brasil possibilita aumentar a produção de alimentos
saudáveis e melhorar as condições de vida no campo e na
cidade?
95,52%
responderam afirmativamente à primeira pergunta, 3,52,
negativamente, 0,63% foram votos em branco e 0,34%, votos
nulos.
Em relação
à segunda pergunta os que responderam sim foram 94,39%,
4,27% responderam não, 0,89 % foram votos em branco e 0,45%,
votos nulos.
Considerando as dificuldades enfrentadas tanto na produção,
quanto na distribuição de um mínimo de material, pela falta
de recursos e de pessoal disponível; considerando que o
Fórum e outras entidades envolvidas não tiveram acesso a
qualquer veículo de comunicação de massas; considerando o
momento, quando as atenções estão voltadas e os militantes
envolvidos nas campanhas eleitorais, pode-se saudar o
resultado como muito positivo.
Mais de
meio milhão de pessoas se posicionou afirmativamente em
relação à necessidade e à conveniência de se colocar um
limite à propriedade da terra. Este é um indicador
expressivo de que a sociedade brasileira vê a proposta como
adequada. É uma amostragem do que pensa boa parcela do povo
brasileiro. As pesquisas de opinião ouvem duas ou três mil
pessoas e seus dados são apresentados como a expressão da
vontade da sociedade!
Mas o que
se pode ressaltar como o mais positivo, e que os números não
expressam, é todo o trabalho de conscientização que se
realizou em torno do plebiscito. Foi desenvolvida uma
pedagogia que incluiu reflexão, debates, organização de
comitês, divulgação e outros instrumentos sobre um tema
considerado tabu, como é o da propriedade privada.
Em quase
todos os estados foram realizados debates em universidades,
escolas, igrejas e outros espaços em que se pôde colocar a
realidade agrária em toda sua crueza. Para muitos, cujo
contato com o campo é praticamente nulo, estes debates
abriram um horizonte novo no conhecimento da realidade
brasileira. Também se pode saudar como fruto precioso deste
processo, os inúmeros trabalhos e textos produzidos pela
academia sobre o arcabouço jurídico que se formou em torno à
propriedade da terra e sobre aspectos históricos,
sociológicos e geográficos da concentração fundiária no
Brasil. Não fosse a proposta do plebiscito esta reflexão não
teria vindo à tona com a força com que veio.
Este
ensaio está também a indicar que um Plebiscito Oficial
deveria ser proposto para que todos os cidadãos e cidadãs
pudessem se manifestar diante de um tema de tamanha
importância para o resgate da cidadania de milhões de
brasileiros e brasileiras que lutam, muitas vezes sem
sucesso, buscando um pedaço de chão onde viver e de onde
retirar o sustento. O Fórum vai continuar firme na luta para
que seja colocado um limite à propriedade da terra.
A
população brasileira também foi convidada a participar de um
abaixo-assinado que continua circulando em todo país até o
final deste ano. O objetivo desta coleta de assinaturas é
entrar com um Projeto de Emenda Constitucional (PEC) no
Congresso Nacional para que seja inserido um novo inciso no
artigo 186 da Constituição Federal que se refere ao
cumprimento da função social da propriedade rural.
Já o
plebiscito popular, além de consultar a população sobre a
necessidade de se estabelecer um limite máximo à propriedade
da terra, teve a tarefa de ser, fundamentalmente, um
importante processo pedagógico de formação e conscientização
do povo brasileiro sobre a realidade agrária do nosso país e
de debater sobre qual projeto defendemos para o povo
brasileiro. Além disso, o Plebiscito Popular pelo Limite da
Propriedade de Terra veio como um instrumento para pautar a
sociedade brasileira sobre a importância e a urgência de se
realizar uma Reforma Agrária justa em nosso país.
A proposta
da Campanha Nacional pelo Limite da Propriedade de Terra
visa pressionar o Congresso Nacional para que seja incluído
na Constituição Federal um novo inciso que limite o tamanho
da terra em até 35 módulos fiscais - medida sugerida pela
campanha do Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no
Campo (FNRA).
Além das
54 entidades que compõem o Fórum Nacional pela Reforma
Agrária e Justiça no Campo, também promovem o Plebiscito
Popular pelo Limite da Propriedade da Terra, a Assembléia
Popular (AP) e o Grito dos Excluídos. O ato ainda conta com
o apoio oficial das Pastorais Sociais da Conferência
Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e do Conselho Nacional
de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic). |