|
20.02.2010
Empresa dona de Jirau não
comparece à reunião com atingidos pela barragem

Na
audiência pública realizada dia 18 de fevereiro, em Mutum
Paraná, Rondônia, a empresa Enersus, dona da obra, e o
Ministério Público Federal se negaram a participar e se
omitiram da responsabilidade de resolver a situação de
centenas de famílias que não sabem do seu destino depois da
construção da Usina Hidrelétrica de Jirau.
O
Movimento dos Atingidos por Barragens denuncia que a Enersus
colocou seus funcionários para intimidar as mais de 200
famílias na tentativa de impedir que participassem da
reunião e discutissem sobre seus direitos. Apesar disso, os
atingidos não se intimidaram e compareceram em grande
número.
A Enersus
é responsável pelo programa de remanejamento da população
atingida, mas não atende a vontade popular de resolver as
situações pendentes quanto às indenizações e à realocação.
Quando são indenizados, os ribeirinhos recebem casas de
placas nas agrovilas. Dezenas dessas casas já caíram, mesmo
antes de serem ocupadas. "É um modelo que para realidade da
Amazônia não serve, pois a região é muito quente e será
insuportável viver nelas, além do mais, a qualidade dessas
casas é péssima e nós não queremos morar nesses lugares",
declarou uma moradora.
Outra
reclamação dos moradores da região é o aumento do número de
casos de violência onde são construídas as barragens. Além
de assassinatos, houve o aumento dos casos de prostituição,
alcoolismo e pontos de drogas. “Todos esses problemas vêm
junto com as barragens e quem mais sofre é a população local
que perdeu o sossego”, disse uma liderança local.- |