|
20.08.2009
Indígenas exigem
cumprimento de acordo pela empresa
construtora da UHE
Monjolinho
áudio
1':37"
Durante
a manhã de hoje (20/08), os índios caingangues atingidos
pela UHE Monjolinho participaram de uma audiência pública
com o consórcio Monel, Funai, Cimi e Ministério Público
Federal para tratar dos problemas sociais e ambientais
causados pela construção da barragem, no Rio Passo Fundo, de
propriedade da empresa Engevix.
A
audiência aconteceu em Erechim/RS e teve como objetivo
discutir a aplicação do Plano Básico Ambiental (PBA).
Enquanto uma comissão participava da audiência, cerca de 150
índios aguardavam fora do prédio do Ministério Publico,
denunciando a situação de descaso por que estão passando e
protestando contra tratamento que estão recebendo da
empresa.
Na
audiência os indígenas denunciaram que os representantes do
Consórcio não aceitam conversar sobre o problema. “A
barragem já está funcionando e nada de concreto foi
estabelecido. Os diálogos deveriam acontecer diretamente com
a comunidade e não através de negociações com a Funai em
Brasília. A comunidade discorda de acordos firmados
diretamente com a Funai sem a participação das indígenas”,
reclamou Abílio Casemiro, liderança da tribo.
A
Procuradora da República, Dra. Andréia Rigoni Agostini,
explicou que os indígenas têm autonomia para dialogar com a
empresa, e que a falta de diálogo não se deu somente devido
à questão da participação ou não da FUNAI. “Os problemas de
hoje não foram cometidos somente por um ou outro órgão, mas
decorrem de uma sucessão de erros ocorridos ao longo do
processo de licenciamento”, declarou.
Mesmo com
o reconhecimento pela Procuradora dos erros no processo de
licenciamento, a empresa não concorda com a implementação
integral do PBA. As discussões irão continuar e a próxima
reunião será no dia 15 de setembro, na reserva indígena, com
a participação da empresa, comunidade e FUNAI, inclusive com
representantes de Brasília.
Entre os
pontos de reivindicação dos indígenas estão:
-
Posto
de saúde com leitos para internação, contratação de
profissionais pediátricos e ambulância equipada;
-
Construção de casas;
-
Construção de novos açudes e recuperação dos já
existentes para criação e manejo de peixes;
-
Ampliação do saneamento básico;
-
Energia elétrica gratuita permanente;
-
Reflorestamento com árvores nativas e
treinamento/capacitação de pessoas da comunidade como
agentes ambientais com remuneração para cuidar do
reflorestamento.
Histórico
e posição do Movimento dos Atingidos por Barragens
A empresa
Engevix fechou as comportas da hidrelétrica antes de
resolver os problemas com as famílias e a revelia da
justiça, que expediu uma liminar proibindo o enchimento do
lago. No dia 18 de junho, durante um protesto na barragem a
polícia gaúcha agiu com violência jogando bombas de efeito
moral, ferindo manifestantes e furando os pneus de dois
ônibus a tiros. A ação, sem justificativas, comprovou a
falta de respeito ao povo indígena. O Movimento dos
Atingidos por Barragens exige que se compram todas as
medidas compensatórias previstas no Plano Básico Ambiental
Indígena.
áudio
1':37" |