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21.01.2010
Suez está entre as
empresas mais irresponsáveis do mundo
Do Amazônia.org
Há quase
uma semana, quando foi lançada mundialmente a “People´s
Award” (Premiação do Público, em tradução livre para o
português), na qual os internautas de todos os países votam
na empresa e organização que mais desrespeita o meio
ambiente e populações afetadas por suas ações, o grupo
francês GDF Suez, pelos impactos e violações de direitos
ocorridos na construção da usina de Jirau, no rio Madeira
(RO), figura entre as favoritas ao título de empresa mais
irresponsável do mundo.
A votação
via internet faz parte da premiação internacional Public Eye
Awards ("Olho do Público") e acontece até 26 de janeiro, um
dia antes da divulgação do resultado, que acontecerá em
Davos, na Suíça. Até agora, a GDF Suez está entre as duas
mais votadas, com cerca de 1.300 votos. Para votar, acesse:
http://www.publiceye.ch/en/vote.
Impactos
De acordo
com Roland Widmer, da OSCIP Amigos da Terra - Amazônia
Brasileira, uma das entidades que indicaram GDF Suez pelo
prêmio Public Eye, "o empreendimento está causando sérios
impactos socioambientais. A eleição da Suez pelo prêmio
Public Eye demonstra que, cada vez mais, a sociedade civil
cobra o abismo entre discurso oficial de empresas e sua
atuação efetiva".
Entre as
violações de direitos humanos estão a ausência de
consentimento livre, prévio e informado dos povos indígenas
e a falta de atenção aos índios isolados que serão
diretamente afetados. Pesquisadores alertam também sobre os
impactos ambientais que a obra traz, entre eles estão o
desmatamento e a possível extinção de espécies de peixes.
Carta à
Suez
Organizações brasileiras e internacionais enviaram, na
quarta-feira passada (13), uma carta ao presidente do grupo,
Gérard Mestrallet. O presidente da Suez na América Latina e
do consórcio Energia Sustentável do Brasil , Jan Flachet e
Victor Paranhos, respectivamente, também receberam o
documento.
O objetivo
da ação é fazer com que a empresa suspenda imediatamente as
obras de Jirau e tome medidas emergenciais com relação aos
impactos ambientais e sociais já criados por causa do
empreendimento. "A GDF Suez e suas subsidiárias têm
demonstrado uma grave falta de responsabilidade nas etapas
de planejamento e construção da usina de Jirau, além de
violar os direitos humanos e as normas de proteção
ambiental, fatos pelos quais a empresa é responsável tanto
no plano ético como no legal", diz um trecho do documento.
Por
possuir 35,6% das ações da Suez, o governo da França - por
meio de seu presidente, Nicolas Sarkozy - também recebeu
cópia da carta. Assinam o documento 16 entidades e redes da
sociedade civil, entre as quais Survival International,
Amigos da Terra - Amazônia Brasileira, Associação de Defesa
Etnoambiental Kanindé, Amazon Watch, Movimentos dos
Atingidos por Barragens - MAB, Greenpeace e o Grupo de
Trabalho Amazônico - GTA. A organização France Libertés -
Fondation Danielle Mitterrand, da ex-primeira dama da
França, também é signatária do documento.
A usina
Jirau está
sendo construída a 150 quilômetros de Porto Velho (RO). A
usina foi planejada para ter um reservatório de 258
quilômetros quadrados e gerar 3450 megawatts de energia. O
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)
é o maior financiador da obra, combinando financiamento
direto com repasses pelas instituições financeiras: Banco do
Brasil, Banco do Nordeste, Caixa Econômica Federal, Bradesco
e Itaú Unibanco.
Localizado
no coração da Amazônia, o empreendimento é um dos maiores e
mais caros do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Segundo ambientalistas, a obra torna vulnerável a
biodiversidade da região, populações ribeirinhas do Brasil,
Bolívia e Peru, povos indígenas isolados, e causa outros
impactos socioambientais.
Em maio de
2008, o consórcio Energia Sustentável do Brasil venceu o
leilão de venda de energia de Jirau com deságio de 21% (R$
71,40 por Mwh). Liderado pela GDF Suez, o consórcio anunciou
logo após o leilão a mudança do local de construção da usina
em 9,2 quilômetros. O consórcio não realizou estudos de
impacto ambiental para a nova localização, contrariando a
legislação ambiental.
A empresa
e seus parceiros no consórcio já foram multados por
desmatamento ilegal e atualmente são réus nas ações civis
públicas ajuizadas no Brasil pelos Ministérios Públicos
Federal e Estadual de Rondônia e organizações da sociedade
civil. |