|
21.02.2011
Atingidos por barragens debatem pauta para desenvolvimento
de
comunidades em Minas Gerais
Relatório confirma violação aos direitos humanos nas
barragens em Granada
O
Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) realizou na
semana passada um encontro na Zona da Mata Mineira para
debater a pauta de desenvolvimento local e regional para os
atingidos, e debater sobre a contribuição do Movimento na
preparação da XXI Romaria dos Trabalhadores e Trabalhadoras,
que deverá reunir cerca de quatro mil pessoas em Granada, no
dia 1º de maio.
As
famílias sofrem muito com os impactos negativos das
barragens desta região desde 1998, quando entrou em operação
a barragem de Emboque, cujo lago, dimensionado para ficar 5
km abaixo do povoado, acabou invadindo ruas, quintais e
casas de Granada. A situação se agravou ainda mais com a
construção da barragem de Granada, acima do povoado,
deixando o Distrito espremido entre o remanso de uma
hidrelétrica e o muro de outra.
“Esses
crimes deixaram à qualidade de vida em Granada extremamente
prejudicada. Além da questão da segurança, com um ‘muro’ de
água logo acima, em época de chuva as famílias são obrigadas
a conviver com a constante variação do nível do lago de
Emboque, o que gera mau cheiro e atrai doenças”, afirmam as
lideranças locais. Após 12 anos, as famílias continuam com
pendências, as estradas possuem trechos de risco, as
moradias estão em locais inadequados e precários, há
comprometimento das áreas de lazer e prejuízo da produção
dos agricultores familiares, que antes era abundante.
Todas
estas denúncias, há tempo apresentadas pelo Movimento dos
Atingidos por Barragens foram comprovadas pelo relatório
aprovado pelo Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa
Humana, órgão ligado ao Ministério da Justiça, que aponta 16
itens de agressão aos Direitos da Pessoa Humana nessas
hidrelétricas.
As
barragens de Emboque e Granada foram construídas pela
empresa Companhia Força e Luz Cataguases Leopoldina, depois
passaram para propriedade da empresa Brascan e hoje estão
com a Brookfield. Todas estas empresas exploram a água sem
nenhum compromisso social e ambiental. |