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22.02.2010
MPA ocupa agências da Caixa Econômica Federal em luta por
Moradia Camponesa
Fonte: MPA
Camponeses e camponesas organizadas no Movimento dos
Pequenos Agricultores ocuparam na manhã desta segunda-feira,
22, cerca de 40 agências da Caixa Econômica Federal,
distribuídas em 12 estados brasileiros. A ação envolve mais
de 8 mil agricultores, que cobram o financiamento de
moradias pelo Programa do Governo Federal “Minha Casa Minha
Vida” na área rural, e reivindicam mudanças nas exigências
de implementação do programa.
Diversas agências estão paralisadas nos estados de Minas
Gerais, Bahia, Rondônia, Goiás, Pernanbuco, Piauí, Sergipe,
Alagoas, Pará, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Espírito
Santo.
O Programa “Minha Casa,
Minha Vida”, anunciado pelo governo Lula em meados de 2009,
previa a construção de 1 milhão de novas casas para famílias
com renda de até 10 salários mínimos, mas até agora nenhuma
casa foi financiada na área rural brasileira. Os camponeses
têm enfrentado inúmeras dificuldades na implementação do
progama, e reivindicam mudanças no projeto.
Uma das principais reivindicações gira em torno da diferença
no valor do subsídio para construção das casas. Para
municípios com população de até 20 mil habitantes o subsídio
é de 12 mil reais, e para municípios com população maior é
de 15 mil. Para o MPA, esta diferença não se explica, e
acaba tratando as famílias camponesas de forma desigual. O
movimento propõe ainda o aumento do subsídio, uma vez que,
mesmo o valor de 15 mil é insuficiente para construir uma
moradia camponesa nas condições ideais de habitação.
Os camponeses querem também uma forma mais simplificada de
comprovação de posse da terra. No campo, muitas famílias
utilizam a terra que ainda está em nome do avô ou bisavô, e
o programa exige que o beneficiário seja o proprietário da
terra, ou parente de 2º grau. Como o governo não resolve os
problemas fundiários de legalização das terras, o direito de
acesso de milhões de famílias camponesas ao programa fica
limitado.
O MPA cobra ainda maior agilidade na operacionalização do
Programa, e denuncia que o corpo de funcionários da Caixa
Econômica é pequeno diante da demanda do Programa, fazendo
com que os processos caminhem com muita lentidão.
Outras questões como a forma de repasse do recurso estão
também na pauta de reivindicação, que será apresentada pela
direção do Movimento à Casa Civil e à Caixa Econômica
Federal em audiência marcada para esta segunda-feira, em
Brasília. Também estão previstas audiências junto ao
Ministério das
Cidades e Secretaria Geral da República, que aguardam
confirmação.- |