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22.03.2010
Blog para
acompanhar a criminalização está no ar
Do Blog do
Miro
Estreou nesta
quinta-feira, dia 18, o blog da rede de comunicadores em
apoio à reforma agrária e contra a criminalização dos
movimentos sociais. Está foi uma das decisões da reunião de
montagem da rede, que ocorreu na semana passada na sede do
Sindicato dos Jornalistas de São Paulo e que teve a presença
de cerca de 100 pessoas, entre jornalistas, radialistas,
blogueiros, estudantes e radiodifusores comunitários.
O endereço é
http://www.reformaagraria.blog.br/
Um dos objetivos editoriais do
blog é acompanhar os trabalhos da Comissão Parlamentar Mista
de Inquérito (CPMI), instalada no final do ano passado por
imposição da bancada ruralista que visa criminalizar os
lutam por terra no país. A nova página também servirá para
divulgar experiências bem sucedidas de reforma agrária, de
assentamentos rurais e de agricultura familiar, que a mídia
privada omite. Ela terá sessões fixas, como o raio-x do
latifúndio, impactos do agronegócio, quem apóia a reforma
agrária, entre outras.
O blog pretende ser um ponto
de referência para outros sítios, blogs e publicações que
tratam deste tema. Ele é aberto à colaboração de todos os
que entendem a urgência da reforma agrária e que não aceitam
a criminalização da luta pela terra promovida pelos
latifundiários do campo e da mídia. Para aderir à rede de
comunicadores basta acessar a página e fazer o cadastro.
Contribua com textos, fotos, vídeos.
Os responsáveis pelo blog são
os signatários do manifesto de criação da rede. Reproduzo o
manifesto abaixo:
Está em curso uma ofensiva
conservadora no Brasil contra a reforma agrária, e contra
qualquer movimento que combata a desigualdade e a
concentração de terra e renda. E você não precisa concordar
com tudo que o MST faz para compreender o que está em jogo.
Uma campanha orquestrada foi
iniciada por setores da chamada “grande imprensa brasileira”
– associados a interesses de latifundiários, grileiros - e
parcelas do Poder Judiciário. E chegou rapidamente ao
Congresso Nacional, onde uma CPMI foi aberta com o objetivo
de constranger aqueles que lutam pela reforma agrária.
A imagem de um trator a
derrubar laranjais no interior paulista, numa fazenda
grilada, roubada da União, correu o país no fim do ano
passado, numa ofensiva organizada. Agricultores miseráveis
foram presos, humilhados. Seriam os responsáveis pelo "grave
atentado". A polícia trabalhou rápido, produzindo um
espetáculo que foi parar nas telas da TV e nas páginas dos
jornais. O recado parece ser: quem defende reforma agrária é
"bandido", é "marginal". Exemplo claro de “criminalização”
dos movimentos sociais.
Quem comanda essa campanha tem
dois objetivos: impedir que o governo federal estabeleça
novos parâmetros para a reforma agrária (depois de três
décadas, o governo planeja rever os “índices de
produtividade” que ajudam a determinar quando uma fazenda
pode ser desapropriada); e “provar” que os que derrubaram
pés de laranja são responsáveis pela “violência no campo”.
Trata-se de grave distorção.
Comparando, seria como se, na
África do Sul do Apartheid, um manifestante negro atirasse
uma pedra contra a vitrine de uma loja onde só brancos
podiam entrar. A mídia sul-africana iniciaria então uma
campanha para provar que a fonte de toda a violência não era
o regime racista, mas o pobre manifestante que atirou a
pedra.
No Brasil, é nesse pé que
estamos: a violência no campo não é resultado de injustiças
históricas que fortaleceram o latifúndio, mas é causada por
quem luta para reduzir essas injustiças. Não faz o menor
sentido...
A violência no campo tem um
nome: latifúndio. Mas isso você dificilmente vai ver na TV.
A violência e a impunidade no campo podem ser traduzidas em
números: mais de 1500 agricultores foram assassinados nos
últimos 25 anos. Detalhe: levantamento da Comissão Pastoral
da Terra (CPT) mostra que dois terços dos homicídios no
campo nem chegam a ser investigados. Mandantes (normalmente
grandes fazendeiros) e seus pistoleiros permanecem impunes.
Uma coisa é certa: a reforma
agrária interessa ao Brasil. Interessa a todo o povo
brasileiro, aos movimentos sociais do campo, aos
trabalhadores rurais e ao MST. A reforma agrária interessa
também aos que se envergonham com os acampamentos de lona na
beira das estradas brasileiras: ali, vive gente expulsa da
terra, sem um canto para plantar - nesse país imenso e rico,
mas ainda dominado pelo latifúndio.
A reforma agrária interessa,
ainda, a quem percebe que a violência urbana se explica – em
parte – pelo deslocamento desorganizado de populações que
são expulsas da terra e obrigadas a viver em condições
medievais, nas periferias das grandes cidades.
Por isso, repetimos:
independente de concordarmos ou não com determinadas ações
daqueles que vivem anos e anos embaixo da lona preta na
beira de estradas, estamos em um momento decisivo e
precisamos defender a reforma agrária.
Se você é um democrata, talvez
já tenha percebido que os ataques coordenados contra o MST
fazem parte de uma ofensiva maior contra qualquer entidade
ou cidadão que lutem por democracia e por um Brasil mais
justo.
Venha refletir com a gente:
-
por que
tanto ódio contra quem pede, simplesmente, que a terra
seja dividida?
-
como
reagir a essa campanha infame no Congresso e na mídia?
-
como
travar a batalha da comunicação, para defender a reforma
agrária no Brasil?
É o convite que fazemos a
você.
Assinam:
- Alcimir do
Carmo.
- Altamiro Borges.
- Ana Facundes.
- André de Oliveira.
- André Freire.
- Antonio Biondi.
- Antonio Martins.
- Bia Barbosa.
- Breno Altman.
- Conceição Lemes.
- Cristina Charão.
- Cristovão Feil.
- Danilo Cerqueira César.
- Dênis de Moraes.
- Emiliano José.
- Emir Sader.
- Flávio Aguiar.
- Gilberto Maringoni.
- Giuseppe Cocco.
- Hamilton Octavio de Souza.
- Henrique Cortez.
- Igor Fuser.
- Jerry Alexandre de Oliveira.
- Joaquim Palhares.
- João Brant.
- João Franzin.
- Jonas Valente.
- Jorge Pereira Filho.
- José Arbex Jr.
- José Augusto Camargo.
- José Carlos Torves.
- José Reinaldo de Carvalho.
- José Roberto Mello.
- Ladislau Dowbor.
- Laurindo Lalo Leal Filho.
- Leonardo Sakamoto.
- Lilian Parise.
- Lúcia Rodrigues.
- Luiz Carlos Azenha.
- Márcia Nestardo.
- Marcia Quintanilha.
- Maria Luisa Franco Busse.
- Mario Augusto Jacobskind.
- Miriyám Hess.
- Nilza Iraci.
- Otávio Nagoya.
- Paulo Lima.
- Paulo Zocchi.
- Pedro Pomar.
- Rachel Moreno.
- Raul Pont.
- Renata Mielli.
- Renato Rovai.
- Rita Casaro.
- Rita Freire.
- Rodrigo Savazoni.
- Rodrigo Vianna.
- Rose Nogueira.
- Rubens Corvetto.
- Sandra Mariano.
- Sérgio Caldieri.
- Sérgio Gomes.
- Sérgio Murilo de Andrade.
- Soraya Misleh.
- Tatiana Merlino.
- Terezinha Vicente.
- Vânia Alves.
- Venício A. de Lima.
- Verena Glass.
- Vito Giannotti.
- Wagner Nabuco |