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22.06.2010
CPT celebra 35 anos
Da CPT
Hoje, dia
22 de junho, a Comissão Pastoral da Terra celebra 35 anos a
serviço dos camponeses e camponesas no Brasil. Fundada em
plena ditadura militar, como resposta à grave situação dos
trabalhadores rurais, posseiros e peões, a CPT contribuiu na
luta e reorganização dos camponeses e camponesas no Brasil,
em um dos períodos mais nefastos da história brasileira.
Trinta e cinco anos depois, organizada em todos os estados
brasileiros, a CPT reafirma o compromisso de fidelidade aos
povos da terra e ao Deus dos pobres.
História
A Comissão
Pastoral da Terra (CPT), criada em 1975, após um Encontro
realizado na cidade de Goiânia (GO) com bispos e religiosos
da Amazônia, para discutir os problemas sócio-políticos e as
violências vividas pelos povos do campo, surgiu como uma
esperança de anúncio e denúncia. Denúncia das mazelas
vividas e da opressão empreendida por latifundiários e
grupos poderosos sobre os pobres do campo, e anúncio da boa
nova, da esperança da terra prometida e do fim das agruras e
das pobrezas vividas por esse povo de Deus espalhado pelos
diversos “Brasis” existentes em nosso país. Essas são as
ações que norteiam a missão dessa entidade desde sua
criação.
Nascida
para dar voz e vez aos trabalhadores e trabalhadoras rurais,
brasileiros e brasileiras, escondidos e escondidas por trás
das cortinas da exploração, a CPT se propôs, desde o seio da
sua criação, a promover o protagonismo desses personagens,
apoiando suas lutas, suas reivindicações e sua organização.
Além de buscar o resgate da auto-estima dos agricultores e
agricultoras, oprimidos e descartados por um mundo cada vez
mais urbano, cada vez mais elitista e cada vez mais
individualista. A terra não mais é vista como mãe de
criação, como geradora de alimentos para seus filhos, mas
apenas como acúmulo de capital e geradora de divisas. A
mercantilização dos bens naturais acirrou a já tão triste
realidade de exploração a qual fomos submetidos desde o
nosso período de colonização. Tudo é vendável, tudo é
lucrativo, nada é dividido e nada é distribuído.
A partir
disso, a CPT buscou junto ao povo do campo alternativas para
os desafios que essa realidade mercantil impõe à nossa
sociedade. Tudo isso com a finalidade de que a terra deixe
de ser vista apenas como um espaço de produção para ser um
espaço onde se possa construir um lugar bom de se viver.
Também com esse princípio, a CPT assume a questão da água
como um dos seus grandes eixos de ação. A partir do momento
que um bem natural corre o risco de ser transformado em
mercadoria, a serviço de grandes empresas e interesses
especulatórios, a CPT se junta às comunidades conservadoras
do meio ambiente e do nosso patrimônio natural para defender
e conservar essa riqueza, além de promover ações e
iniciativas de busca alternativa por esse bem, para os que
sofrem com a escassez e a seca sazonal comuns em algumas
regiões do nosso país. As lutas assumidas pela CPT e a sua
própria criação foram imprescindíveis num momento em que o
contexto político e a violência praticada contra os
trabalhadores e trabalhadoras do campo se multiplicavam
principalmente no interior da Amazônia.
Até então,
os trabalhadores e trabalhadoras do campo tinham apenas os
sindicatos para olharem por eles, mas mesmo estas instâncias
haviam se curvado à ditadura e feito acordos conciliatórios
para terem uma mínima liberdade de atuação.
Sendo
assim, religiosos e religiosas de variadas denominações
cristãs, líderes populares, líderes sindicais, trabalhadores
e trabalhadoras rurais uniram-se em torno de um grande
ideal, ser fiel ao Deus dos pobres e estar a serviço dos
pobres da terra. Formada por religiosos e religiosas,
voluntários e voluntárias, e profissionais das mais diversas
áreas do conhecimento, a CPT foi criando corpo e dando
início às suas ações por todo o país. A essas pessoas foi
dado o nome de agente, encarregados de ajudarem,
assessorarem e denunciarem a realidade dos camponeses e
camponesas brasileiros, oprimidos dentro de um contexto
ditatorial e coronelista.
Ela deu
início, também, ao trabalho de documentação. Documentação
dos conflitos e violências no campo, como forma de denunciar
à sociedade, às autoridades governamentais e ao mundo, a
situação vivida pelos trabalhadores e trabalhadoras rurais
em todo o país. Esse trabalho foi tornando-se mais
sistemático, passando a compor uma publicação anual com o
nome de Conflitos no Campo Brasil. Esse ano,
tal publicação completa 25 anos e milhares de páginas com o
suor e o sangue de tantos homens, mulheres e crianças que
tombaram diante da violência dos poderosos e da impunidade
velada no campo brasileiro.
A CPT
tornou-se a única entidade a realizar tão ampla pesquisa da
questão agrária no país, e formou uma das mais importantes
bibliotecas e acervo documental da luta camponesa no Brasil
e talvez no mundo. Outros países buscam a Pastoral da Terra
como fonte de pesquisa e de inspiração na tentativa de
desenvolver trabalhos similares em suas regiões.
A
diversidade fez a unidade da luta
A partir
da realidade de cada região, de cada comunidade, de cada
interior desse país, a CPT foi criando uma das mais belas
características que possui, a diversidade. Cada CPT criou
seu rosto, suas qualificações, sua personalidade, mas todas
elas voltadas para os mesmos objetivos, o da democratização
do acesso a terra e do fim da violência contra os pobres do
campo. E é exatamente por causa dessa diversidade, dessas
particularidades de cada região do país, que outros grupos,
organizações, entidades e movimentos sociais foram surgindo,
a fim de atender a cada um dos cenários brasileiros que iam
se apresentando.
Assim, em
1984, após um processo de fermentação ideológica e
conceitual, surge, no Paraná, o Movimento dos Trabalhadores
Sem Terra (MST). Conhecido como um dos mais importantes
nomes na luta pela reforma agrária no Brasil, o MST se
consolidou no cenário político e no imaginário da sociedade
brasileira. Além dele, outros vieram a se somar nessa luta
que toma um corpo único no país.
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