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23.02.2011
MAB mobiliza centenas de
pescadores em assembleia na região
do Baixo Madeira, em
Rondônia

Simbolizando a resistência da identidade cultural
ribeirinha, uma caminhada de pescadores levando nas mãos
varas, tarrafas e outros instrumentos da pesca artesanal,
abriu a Assembléia de Pescadores (as) e Ribeirinhos (as) da
Região do Baixo Madeira. A Assembléia foi realizada na manhã
da última segunda-feira, dia 21, organizada pelo Movimento
dos Atingidos por Barragens – MAB, no distrito de São
Carlos/RO.
Envolvendo
pescadores, ribeirinhos, extrativistas e trabalhadores,
participaram da atividade mais de 300 pessoas, de cinco
comunidades da região – Jamari, Brasileira, Bom Será e
Curicacas. Também estiveram
presentes
várias organizações, como a Comissão Pastoral da Terra,
Cooperativa COMADRE, Associação de Pescadores (ACCPESC),
além do assessor do Deputado Federal Padre Tom (PT/RO) e
representantes da empresa Santo Antônio Energia.
O marco
fundamental da Assembléia foi o debate e a construção
coletiva de uma plataforma de reivindicações que será
apresentada aos órgãos governamentais e às empresas. Ficou
definida uma comissão para entregar o documento ao
Ministério da Pesca e Aquicultura – MPA, que nos dias 23 e
24 realizará, em Porto Velho, um Workshop de Pesca e
Aquicultura, nas Usinas Hidroelétricas de Santo Antônio e
Jirau, para definição das políticas públicas do setor
pesqueiro para a região.
Ações
emergenciais
Com
a construção das barragens na região, houve muito prejuízo
na vida dos pescadores. Na fala de um deles ficou clara esta
situação: “Minha vida foi na beira do rio há mais de 30
anos. Vivi aqui e quero continuar na beira do rio Madeira,
mas temos muitas dúvidas se vamos continuar tendo peixe e
alimentando o nosso povo, hoje vejo que as barragens vão
acabar com todo peixe, sei que o rio não vai ser mais o
mesmo, acredito que não vamos ter mais 30 anos de riqueza,
como tínhamos antes.”
No debate
com os pescadores, foi construída a pauta de reivindicações,
que envolve desde o plano de recuperação e desenvolvimento
das comunidades até ações prioritárias sobre o
fortalecimento da pesca, investimentos imediatos para
recuperação, preservação e desenvolvimento das comunidades e
a necessidade de um programa de regularização e de reforma
agrária para a região.
Entre os
principais pontos de reivindicação estão:
-
O
fortalecimento da pesca na região, com condições
para compra e melhoria de barcos, câmara fria, fábrica
de gelo, máquinas para beneficiamento, seguro defesa a
todos, repovoamento das espécies nativas.
-
Investimentos
imediatos para recuperação, preservação e
desenvolvimento das comunidades e distritos da região.
Recursos investidos num conjunto de medidas/ações nas
áreas da produção, geração de renda, educação, cultura,
saúde e infra-estrutura.
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