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23.02.2011
Relatoria lança documento
sobre impactos causados pela transposição
do São Francisco e
barragens no semi-árido
Fonte: Plataforma Dhesca
Brasil
Apesar de estar próximo ao rio São Francisco
e de ver suas terras cortadas por um dos gigantescos canais
da transposição do rio, o assentamento Jibóia, no município
de Cabrobó, continuará sem ter água encanada para manter o
plantio das famílias que sobrevivem no local. Essas e outras
contradições envolvendo a transposição do Velho Chico e a
construção de barragens na região serão debatidas durante
duas audiências públicas realizadas pela Relatoria do
Direito Humano à Terra, Território e Alimentação, que irá
apresentar a autoridades públicas um
relatório de denúncias
sobre esses temas. A primeira audiência será na
segunda-feira (21), em Petrolina e na terça-feira (22)
acontecerá em Recife, com a presença do relator e sociólogo
Sérgio Sauer.
A Relatoria esteve na região do semi-árido
entre os estados de Pernambuco e da Bahia em outubro do ano
passado, quando coletou depoimentos e denúncias das
comunidades e se reuniu com os órgãos públicos locais.
Durante a missão, pôde constatar a existência de comunidades
que serão afetadas pelas obras, mas que ainda não possuem os
títulos de seus territórios. Diversos povos indígenas vivem
na mesma situação: ao longo do rio São Francisco, moram 38
povos, numa população estimada em 70 mil indígenas, sendo
que muitos não contam com a demarcação de seus territórios.
Assentamentos rurais também vão ter suas terras alagadas ou
até mesmo já perderam parte da área com a passagem do canal
da transposição, mas sem contar com as obras compensatórias.
As comunidades reclamam também da falta de
informações sobre todo o processo de transposição e da
construção de barragens ao longo do rio. Os empreendimentos
irão beneficiar diretamente grandes obras, como a do Porto
de Pecém (CE) e o setor da fruticultura irrigada, produção
esta voltada para a exportação. Enquanto isso, as
comunidades tradicionais e assentamentos sobrevivem
resistindo à estiagem, à ausência de políticas públicas e de
comprometimento do Estado em garantir acesso a direitos
básicos, como terra, saúde, educação, alimentação, moradia
etc.
Além das denúncias feitas, o relatório é
composto por diversas recomendações aos órgãos públicos,
visando a superação das violações identificadas. Entre as
recomendações, está o pedido de suspensão das obras da UHE
Riacho Seco até que seja apresentado o plano de re-assentamento
e as indenizações a serem pagas às famílias impactadas. A
Relatoria também solicita que todos os estudos
antropológicos das comunidades afetadas sejam finalizados o
quanto antes, tanto pelo INCRA quanto pela FUNAI, para que
as terras sejam tituladas e demarcadas, e que o Ministério
da Integração cumpra os termos de acordo para realização das
obras compensatórias, assinado em 2008.
Leia o relatório:
Relatório da Missão à Petrolina e Região do Rio São
Francisco (PE) |