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23.09.2010
Entidades fazem ato em
apoio aos Mapuche em Brasília
Por Maíra Heinen
Da Assessoria de Comunicação Cimi
Foto: Cimi
Nesta
quarta-feira, 22 de setembro, representantes do Conselho
Indigenista Missionário (Cimi), do Movimento dos
Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), do Movimento dos
Atingidos por Barragens (MAB) e da Via Campesina realizaram
ato simbólico em frente à embaixada do Chile, no Brasil.
O objetivo
da manifestação foi protocolar um documento destas entidades
relacionado à greve de fome de indígenas mapuche no país,
que já dura mais de 60 dias e protestam contra a lei
Antiterror.
Na
embaixada, o grupo foi recebido por um dos conselheiros,
Pedro González – de acordo com funcionários do local, o
embaixador estava viajando. O conselheiro afirmou que não
poderia fazer nenhum encaminhamento, mas declarou que o
governo do Chile já está buscando formas para mudar a lei.
“Estamos dialogando e esperamos que a situação se resolva o
mais rápido possível”, afirmou o conselheiro. Ainda de
acordo com González, o governo “vai resolver tudo pela via
da legalidade”.
Documento
No
documento entregue, as entidades manifestam total
solidariedade ao Povo Mapuche e repudiam energicamente a
aplicação da denominada Lei Antiterror, como instrumento
para calar a voz dos movimentos sociais. “É inaceitável que,
em um país que se denomina democrático, se criminalize as
justas demandas do Povo Mapuche”, diz a carta.
As
entidades finalizam o texto esperando “não ter que lamentar
nenhuma perda de vidas humanas”.
Abaixo,
leia a carta, destinada ao embaixador da República do Chile
no Brasil, Jorge Montero Figueroa, e ao Cônsul Geral da
República do Chile em São Paulo, Aldo Famolaro.
Por meio
da presente carta, queremos fazer chegar a V.Sa., e por seus
intermédio às autoridades competentes de seu país, a
profunda preocupação que as organizações brasileiras
subscritas abaixo temos pelo estado de saúde dos integrantes
do Povo Mapuche, que levam adiante, há mais de 60 dias, uma
greve de fome em protesto para que suas justas demandas
sejam atendidas.
Também,
manifestamos nosso total apoio e solidariedade ao Povo
Mapuche, e repudiamos energicamente a contínua aplicação da
denominada Lei Antiterror, como instrumento para calar a voz
dos movimentos sociais. Práticas como essas eram muito comum
em épocas ditatoriais e que de forma alguma queremos voltar
a viver em nossos países.
É
inaceitável que, em um país que se denomina democrático, se
criminalize as justas demandas do Povo Mapuche. Em um país
democrático, se garante plenamente o direito dos seus povos
originários e a liberdade de expressão. O Estado chileno
deve saldar a enorme dívida histórica que tem com este povo,
que vem resistindo e enfrentando um verdadeiro genocídio
étnico e cultural.
Estaremos
atentos e esperando não ter de lamentar nenhuma perda de
vidas humanas, nos despedimos atentamente,
Articulação Continental dos Movimentos Sociais da ALBA
Via Campesina – Brasil |