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23.11.2009
Aumenta
violação de direitos humanos de populações afetadas
por
hidrelétricas, diz relatório
Agência Brasil
Rio de
Janeiro - Um relatório, que está sendo elaborado pelo
Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) em conjunto com
a Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH) da
Presidência da República, constata que tem aumentado, nos
últimos anos, a violação de direitos humanos das populações
afetadas pelas grandes hidrelétricas no Brasil.
Segundo
informou à Agência Brasil Luiz Dalla Costa, da
coordenação nacional do MAB e membro da rede de organizações
da sociedade civil Plataforma BNDES, todas as denúncias
formuladas desde 2005 foram confirmadas.
Dalla
Costa disse que foram registradas violações do direito ao
trabalho, à moradia, à livre circulação e, inclusive, ao
acesso à água e à energia. Até o início do próximo ano, o
relatório estará concluído e será divulgado pela SEDH.
A
Plataforma BNDES realiza entre os dias 23 e 25 deste mês, no
Circo Voador, no Rio de Janeiro, o 1º Encontro Sul-Americano
de Populações Afetadas pelos Projetos Financiados pelo Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Dalla
Costa destacou que o BNDES é o principal financiador das
grandes obras no país. “Praticamente, todas as obras de
construção de barragens no Brasil têm 70% a 80% de recursos
públicos vindos do BNDES.” Por isso, o MAB entende que o
banco é responsável, ou corresponsável, pelas consequências
que essas obras causam na vida das populações.
“A gente
acha que o banco, ao financiar, tem responsabilidade de se
preocupar para que haja novos critérios de financiamento
dessas obras, e não só hidrelétricas, mas de obras que
envolvem mineração, investimentos na produção de carne que
avança sobre a floresta amazônica, na celulose, na
siderurgia, que afetam a vida de muitas pessoas, que não têm
o tratamento social e ambiental devidamente equacionado”,
expôs Dalla Costa.
Ele
defendeu que o banco busque informar, de forma isenta e
direta, as populações afetadas, para que elas possam se
organizar e reivindicar seus direitos. “Nós queremos que
haja maior transparência do banco para que as populações
sejam previamente informadas”.
O MAB pede
também que o BNDES estude formas de apoiar as populações
situadas ao redor das obras que, muitas vezes, ficam
inteiramente desassistidas. “Nós queremos mudanças nessas
posturas e achamos que o banco é responsável por isso”.
Dalla
Costa lembrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
reconheceu que o Estado brasileiro tem uma dívida com os
atingidos por barragens e observou que esse reconhecimento é
importante. “E necessário que haja políticas e, no caso do
BNDES, que haja transparência e outros critérios, discutidos
com a população, para que haja, de fato, mudanças
substantivas nas políticas atuais”. |