24.03.2008
Movimentos Sociais protestam contra privatização da Cesp

Desde a manhã de hoje 24/3, cerca de 500 trabalhadores ligados ao MST e ao MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens), dos estados de São Paulo e Paraná, bloqueiam a rodovia que dá acesso à Usina Hidrelétrica Sérgio Mota, em Porto Primavera, região do Pontal do Paranapanema. Os manifestantes protestam contra a privatização da Cesp (Companhia Energética de São Paulo), cujo leilão está marcado para o dia 26 de março, na Bovespa.

A Cesp é responsável por 60% da energia gerada no Estado de São Paulo e é a terceira maior do país. Sua potência instalada total é de 7.455,30 MW proveniente das hidrelétricas de Ilha Solteira, Três Irmãos; Jupiá; Sérgio Mota; Paraibuna; e Jaguarí. O valor estimado da companhia é de R$ 12 bilhões, no entanto, o valor mínimo no leilão será de R$ 6 bilhões.

A Cesp é apenas a primeira empresa estadual a ser privatizada em 2008. No pacote anunciado pelo governo José Serra estão mais 17 estatais paulistas. Entre as empresas que disputam a estatal estão as multinacionais Alcoa (dos EUA), a Tractebel Suez (franco-belga) a EDP (Portuguesa) e a Neoenergia/Iberdrola (brasileira-espanhola), além da brasileira CPFL.

Histórico da privatização do setor elétrico de São Paulo

Existiam três grandes estatais do setor elétrico em São Paulo. A saber, Eletropaulo, CPFL e Cesp. Após a onda de privatizações dos anos 90, a Eletropaulo e a CPFL foram leiloadas e a Cesp sofreu uma divisão em diversas companhias, que também foram vendidas: A Elektro que foi vendida para a Enron (EUA), em 1998; A Cesp Parapanema vendida à Duke Energy (EUA), em 1999; A Cesp Tietê que foi vendida para a AES (EUA) em 1999; A Cteep, entregue à colombiana Interconexión Eléctrica (ISA), EM 2006.

Estas privatizações trouxeram grandes conseqüências. Segundo o Sindicato dos Eletricitários de São Paulo, Quando a Cteep (Companhia Transmissora de Energia Elétrica Paulista) e a Eletropaulo foram privatizadas, houve um corte de 60% no quadro de funcionários do setor. Além disso, De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Energia Elétrica (Sinergia), quando a Eletropaulo era uma empresa estatal, ganhava prêmios de empresa com melhor serviço. Hoje, privatizada, fica em décimo lugar no ranking, porque tem apenas 2 mil funcionários.

Recentemente, uma explosão na subestação Bandeirante da Cteep, na zona sul da capital paulista, causou o desligamento de um disjuntor e deixou quase 3 milhões de pessoas sem luz. Isso ocorreu devido às más condições de trabalho na subestação e da falta de manutenção preventiva.

 

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