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25.03.2008
Fracassa
tentativa de José Serra de vender a Cesp
Estatal
poderia ser vendida por R$ 6,6 bilhões, embora o próprio
Citibank havia estimado um valor superior, de R$ 15 bilhões; já
sindicato dos eletricitários apurou que empresa valia R$ 21
bilhões
Eduardo Sales,
da Redação
Depois
de protestos de movimentos sociais, ações na Justiça e
desinteresse dos grupos privados, fracassou a tentativa do
governador de São Paulo, o tucano José Serra, de vender a
estatal Cesp. O presidenciável do PSDB confirmou, nesta
terça-feira (25), que o leilão previsto para ocorrer na quarta
(26) foi cancelado. Serra explicou que os grupos privados não se
interessaram pela disputa.
A Cesp
possui seis usinas hidrelétricas nos Rios Paraná, Tietê, Paraíba
do Sul, Paraibuna e Jaguari, e é responsável por 60% da energia
gerada no Estado de São Paulo. Para sindicalistas e movimentos
sociais, sua venda lesaria o patrimônio público. Especialistas
apontam que a privatização também acarretaria a criação de
oligopólios no setor de energia elétrica. “Se esse patrimônio
for transferido ao controle de grupos privados, estará aberto o
caminho para a formação de cartéis que dominarão o sistema
elétrico de ponta a ponta, da geração à distribuição, passando
pela transmissão, isto é, pela CTEEP, que já foi entregue”,
afirma Joaquim Francisco de Carvalho, ex-diretor do Ministério
do Planejamento, em artigo publicado pelo Brasil de Fato
(leia
a íntegra).
O
governo do Estado colocou como preço mínimo no leilão o valor de
R$ 6 bilhões. O Citibank, contratado pelo governador tucano para
apurar o valor de mercado da geradora, havia cotado a empresa em
R$ 15 bilhões. Já o Sindicato dos Eletricitários de São Paulo
contestou os valores e, conforme pesquisa feita com um grupo de
especialistas, chegou ao valor de R$ 21 bilhões. A discrepância
nos números levou os sindicalistas a moverem uma ação pedindo a
anulação do lei alegando prejuízos ao patrimônio público.
Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
(MST) e do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), dos
Estados de São Paulo e Paraná, ocuparam na manhã da
segunda-feira (24) um terreno da Usina Hidrelétrica Sérgio Mota,
em Porto Primavera, região do Pontal do Paranapanema, no Estado
de São Paulo.
Já o
PSOL também moveu uma ação afirmando que o edital do leilão
infringe a Constituição ao impedir a participação de outras
estatais na disputa. (leia
artigo do deputado Ivan Valente - "A privatização da Cesp lesa o
interesse público").
“Parceria”
O
leilão fracassou mesmo com uma medida tomada pelo governo
federal que facilitou o processo de privatização. Uma portaria
do Ministério de Minas e Energia de quarta-feira (19) prorrogou
por 20 anos, a contar da data de 19 de maio de 2008, a concessão
da hidrelétrica Porto Primavera, da Cesp.
A União
agiu em consonância para que o governo de São Paulo tivesse a
garantia de que a concessão das usinas permanecesse com a
empresa para não tirar o interesse dos investidores no leilão de
privatização. O contrato da hidrelétrica de Porto Primavera
expiraria no final de maio. O Sindicato dos Engenheiros de São
Paulo contestou a decisão com uma ação na Justiça, pedindo a
suspensão do leilão. A prorrogação, segundo a entidade, acarreta
prejuízo para o poder público.
Já as
concessões das usinas de Três Irmãos vencem em 2011; as de Jupiá
e de Ilha Solteira têm vencimento em 2015. Essas três concessões
já foram renovadas uma vez, o que, pela lei, impediria uma nova
prorrogação. Os conglomerados privados que participam do leilão
tentaram, em vão, conseguir garantias de que teriam as
concessões prorrogadas. O tucano chegou a discutir a
questão com o presidente Lula, já que para tal medida seria
necessária uma alteração constitucional, mas nenhuma decisão foi
tomada.
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