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26.03.2008
Funcionários do
grupo Votorantim revoltam-se contra maus tratos
Não por
coincidência, as mesmas reclamações foram apresentadas por
empregados que protestaram em diferentes instalações do grupo
Votorantim, por duas vezes neste mês. A saber, péssimas
condições de trabalho, maus tratos, cerceamento de liberdade,
alimentação ruim e baixos salários.
Na
madrugada desta segunda-feira (24/3), um grupo de operários que
trabalham na construção do complexo industrial da Votorantim
Celulose e Papel (VCP) e da International Paper, em Três Lagoas
(MS), fizeram uma manifestação em um dos pavilhões do alojamento
que abriga 1,2 mil funcionários. Segundo relatos divulgados pela
imprensa local, ao chegar ao alojamento naquele dia, o grupo foi
impedido de comer, pois a empresa não permite refeições fora dos
horários estabelecidos. Além disso, os funcionários
classificaram a rotina no alojamento como a de uma prisão, já
que não têm liberdade de saírem quando querem.
Há
cerca de 20 dias, episódio parecido aconteceu na divisa dos
estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Operários que
trabalham na construção da Usina Hidrelétrica Foz do Chapecó
paralisaram as obras. O fato que deu início ao protesto foi o
espancamento de um trabalhador pelos seguranças das empresas
responsáveis pela obra, que são a Votorantim, Camargo Correa e
Bradesco. As queixas, novamente foram: baixos salários;
“aprisionamento” dos trabalhadores dentro do canteiro de obra;
baixa qualidade da alimentação; insegurança no trabalho - os que
são vítimas de acidente de trabalho não têm recebido tratamento
adequado; e repressão interna.
Segundo
a coordenação do MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens), as
empresas donas de hidrelétricas, para obterem altas taxas de
lucro, submetem os trabalhadores a uma situação quase de
trabalho escravo. O fato ocorrido dentro desta obra não é algo
isolado, ao contrário, é uma tendência em todos os
empreendimentos.
Impactos ambientais
A
preocupação com meio ambiente também fica em segundo plano,
quando o objetivo principal é o lucro das empresas. De acordo
com o relatório O Estado Real das Águas no Brasil,
produzido pela ONG Defensoria da Água, ligada ao Instituto para
a Defesa da Vida, a Votorantim está entre as dez empresas que
mais poluem as águas no Brasil.
Além
disso, no dia 6 de março, o Tribunal de Justiça de São Paulo
determinou a suspensão do corte e do plantio de novos eucaliptos
no município de São Luiz do Paraitinga (182 km ao leste de SP)
até a realização de um estudo de impacto ambiental, com pena de
multa no valor de R$ 10 mil por dia. As empresas responsáveis
pelo cultivo de eucalipto nessa região são a Votorantim Celulose
e Papel e Suzano Papel e Celulose no município.
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