|
27.05.2010
Contra o trabalho
escravo, Via Campesina realiza protesto em Brasília
As
organizações camponesas denunciam os malefícios do modelo
baseado no agronegócio
A Via
Campesina do Brasil está mobilizada em sua jornada de lutas
desde esta quarta-feira (26/5). Atos públicos e ocupações já
acontecem pelos estados para reivindicar um novo modelo de
agricultura que produza alimentos em equilíbrio com o meio
ambiente, sob a busca de uma sociedade mais justa e
igualitária. Em Brasília, a Via Campesina fará um ato na
Esplanada dos Ministérios nesta quinta-feira (27/5). Às
14h30, o protesto se somará aos participantes do I Encontro
Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo, que acontece
na cidade, e, em frente ao Congresso Nacional, pedirá a
aprovação da chamada “PEC do Trabalho Escravo".
“O
modelo do agronegócio protege a exploração do trabalho
escravo, do trabalho infantil e a superexploração dos
assalariados rurais. Não garante direitos trabalhistas e
previdenciários e as mínimas condições de transporte e de
vida nas fazendas. Por isso, a bancada ruralista nunca
aceitou votar o projeto que penaliza fazendas com trabalho
escravo, já aprovado no Senado”, afirma José Batista de
Oliveira, da coordenação nacional do MST.
Crítica ao agronegócio
A Via
Campesina condena a produção agrícola sob o controle de
grandes proprietários de terra e empresas transnacionais,
que prioriza a produção de monocultivos extensivos em grande
escala e que destina a maior parte de sua produção para
exportação.
“Esse
modelo exige o uso de grandes quantidades de venenos que
afetam a saúde humana e o meio ambiente. Hoje, o Brasil
consome mais de um bilhão de litros de veneno por ano, se
transformando no maior consumidor mundial”, pondera
Oliveira.
“Denunciamos estas iniciativas, muitas delas provenientes do
poder público, que fortalecem este modelo, como a liberação
desenfreada de transgênicos que eliminam com as sementes
nativas, o atual modelo energético que entrega o controle da
energia às grandes corporações multinacionais e as
tentativas de modificação no atual Código Florestal”,
completa.
Dívidas
As
entidades camponesas reiteram que é o agronegócio que recebe
mais incentivos governamentais (cerca de 80% do que é
destinado à agricultura), mesmo gerando desemprego no meio
rural e a expulsão do camponês de suas origens.
Por
outro lado, os pequenos agricultores, quem garantem a
produção de mais de 70% alimento que chega a casa do
brasileiro e quase 40% do valor bruto da produção agrícola
do país, não têm os mesmos privilégios nem na hora de
renegociar suas dívidas com a União.
Em algumas regiões do país 60% das famílias assentadas não
conseguem pagar as dívidas que contraíram por meio de
solicitação de empréstimos. Atualmente, os assentados
requerem empréstimos por meio do Programa Nacional de
Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).
No
entanto, essa linha de crédito é direcionada ao pequeno
agricultor, que já tem uma produção familiar e rendimentos,
diferentemente deste trabalhador que muitas vezes acabou de
receber a terra.
A Via Campesina é uma articulação camponesa internacional.
No Brasil, 10 organizações compõem a Via: Associação
Brasileira dos Estudantes de Engenharia Florestal – ABEEF;
Conselho Indigenista Missionário – CIMI; Comissão Pastoral
da Terra – CPT; Federação dos Estudantes de Agronomia do
Brasil – FEAB; Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB;
Movimento dos Pequenos Agricultores – MPA; Movimento das
Mulheres Camponesas – MMC; Movimento dos Trabalhadores
Rurais Sem Terra – MST; Pastoral da Juventude Rural – PJR e
Movimento dos Pescadores e Pescadoras do Brasil.
Contatos para a imprensa:
Mayrá Lima – (61) 96846534
Maria Mello – (11)
96903614
Silvia Alvarez –
(11) 82254905
Bruna Mesquita -
(61) 3301 4211- |