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27.08.2009
Ameaçados por barragem se
organizam para impedir a construção da obra
Nesta
semana, nos dias 22 e 25, cerca de 300 agricultores,
professores, comerciantes e arrendatários de mais de dez
comunidades dos municípios catarinenses de Cerro Negro e
Campo Belo do Sul, se reuniram para discutir sobre a
construção da Barragem de Garibaldi e decidiram se organizar
no Movimento dos Atingidos por Barragens.
Em
assembléia, eles decidiram que não querem a barragem e farão
ações contra sua construção. Para isso, foi constituída uma
coordenação com representantes das comunidades para
elaboraram o documento abaixo, a ser apresentado no dia 1°
de setembro, na Audiência Pública que acontecerá em Abdom
Batista/SC.
As
comunidades estão se preparando para participar da
atividade. “Não queremos essa barragem, e por isso no dia da
audiência temos que ir lá e dizer que não queremos, e se
preciso gritar, vamos gritar: não queremos a barragem de
Garibaldi”, disse um ameaçado pela usina.
Se
construída, a barragem, projetada para o rio Canoas,
atingirá os municípios de Cerro Negro, Campo Belo do Sul,
Abdon Batista, Vargem e São José do Cerrito, expulsando
centenas de famílias.
Na reunião
da coordenação da região, no dia 26, também estiveram
presentes vereadores e o prefeito de Cerro Negro, Janerson
Furtado, o qual reafirmou a importância dos atingidos
estarem organizados no MAB. Ele lembrou que as conquistas
dos direitos dos atingidos pela barragem de Barra Grande foi
mérito da organização no Movimento.
Leia parte
do documento elaborado pelos moradores.
Nós, agricultores, meeiros,
arrendatários, jovens, mulheres, vereadores, prefeitos
ameaçados pela Barragem de Garibaldi gostaríamos de afirmar
a nossa posição: SOMOS CONTRA A CONSTRUÇÃO DA BARRAGEM DE
GARIBALDI, por entender que as barragens não são feitas
para atender as necessidades do povo e muito menos para
desenvolver a nossa região. Que a exemplo das barragens já
construídas na nossa região, muita gente foi expulsa, piorou
a vida das pessoas, desestruturou comunidades, entre muitos
problemas. Que como esta obra vai "definir" e mexer com a
vida de muitas famílias, achamos que é necessário ser feito
um amplo debate com a população local, sendo necessário para
isto a realização de audiências publicas em todos os
municípios e comunidades. Como os mais atingidos pela obra,
nos exigimos que a decisão de construir ou não construir a
obra, considere prioritariamente a posição da população
atingida, organizada no Movimento dos Atingidos por
Barragens. Por isso estamos construindo uma proposta de
desenvolvimento pra nossa região que será apresentada no
próximo período. |