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Conta
com desconto da Tarifa Social |
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Conta com preço
normal cobrado pela energia |
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Cansada de pagar caro pela tarifa de
energia, Tânia Vieira, militante do MAB (Movimento dos Atingidos
por Barragens) juntou-se às 300 mulheres da Via Campesina que,
no 8 de março, Dia da Mulher, foram até a Ceron (Centrais
Elétricas de Rondônia) e fizeram a entrega coletiva das
autodeclarações que garantem a Tarifa Social de energia para
aqueles que consomem até 220kwh/mês. O resultado da luta já
chegou: um desconto de R$ 13 reais na sua conta de luz no mês de
março.
Durante a jornada do dia internacional de
luta contra as barragens, mais entregas de autodeclarações foram
feitas em várias distribuidoras do país. O objetivo é o mesmo:
pagar menos pela tarifa de energia que, no Brasil, é a 5ª maior
do mundo. O que sustenta juridicamente essa organização dos
trabalhadores para reivindicar o direito à tarifa social é uma
liminar expedida pelo Tribunal Regional Federal que garantiu que
todas as famílias que consomem até 220 kwh/mês de energia
elétrica, podem receber os descontos referentes a Tarifa Social
Baixa Renda na conta de luz, sem precisar estar cadastrado em
qualquer programa social do governo.
A lei federal 10.438/02, de 2002, que
institui os descontos no pagamento de energia elétrica, prevê
alguns critérios para obtenção da tarifa social, como a
obrigatoriedade de inscrição no Cadastro Único do governo
federal. A Proteste e o Procon de SP avaliaram o critério como
injusto, já que muitos brasileiros pobres não estão inscritos no
programa Bolsa Família e, nem por isso, devem deixar de obter
descontos na costa de luz. As entidades ingressaram com Ação
Civil Pública, em 2004, questionando os requisitos impostos para
aplicação da tarifa social e, em abril de 2006, por decisão da
14ª Vara da Justiça Federal de Brasília, houve sentença
parcialmente favorável da ação civil pública.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel),
no entanto, recorreu e aguarda decisão em segunda instância.
Além disso, editou novas resoluções normativas estabelecendo
prazos para a entrega dos comprovantes de inscrição em programa
social do governo, ignorando a decisão do Juiz que expediu a
liminar. As resoluções foram derrubadas por uma Medida Cautelar.
Mas, afinal, porque a Aneel resiste em cumprir a lei que garante
descontos aos trabalhadores? E porque, mesmo com a Tarifa
Social, o brasileiro paga tão caro pela energia?
Com o processo de privatização do setor
elétrico brasileiro, a energia foi transformada numa grande
mercadoria e quem passou a controlá-la foram as grandes empresas
multinacionais. Desde então, a Aneel reajustou as tarifas
residenciais de energia elétrica em 386,2%, quase o dobro da
inflação. O preço da energia elétrica deixou de ser cobrado pelo
seu custo de produção real (baseado na hidroeletricidade) para
ser determinado pela energia que tem o maior custo de produção,
predominante nos demais países (energia térmica). Ou seja, o
modelo energético brasileiro passou a ser organizado para
permitir que as empresas controladoras da energia
(multinacionais) pudessem extrair as mais altas taxas de lucro.
E, quando é a vez dessas empresas consumirem
energia o desconto vem fácil. A Alcoa e a Vale, por exemplo,
possuem indústrias de alumínio e ferro no norte do país (a
Alumar e a Albrás) e, desde 1984, recebem energia subsidiada (a
preço real de custo) da Eletronorte. Com a renovação dos
contratos, a Alcoa e a Vale pagarão, respectivamente, R$45 e
R$33 pelo MW, até 2024. Enquanto isso, a tarifa média anual paga
pelas famílias da região norte é de R$ 262,78 pelo MW (sem os
encargos), segundo pesquisa do Dieese.
Diante dessa injustiça, o MAB e todas as
entidades que apóiam a campanha pela redução do preço da
energia, convocam os trabalhadores que consomem até 220kw/h mês
e possuem ligação monofásica, a seguirem o exemplo vitorioso das
mulheres da Via Campesina, e reivindicarem tarifas justas de
energia e um modelo energético a serviço do povo brasileiro. E
mais do que atingidos por barragens, os trabalhadores
brasileiros são atingidos pelo modelo energético vigente no
país, que privilegia o grande capital privado ao invés de
conceder benefícios à população pobre.
Marco Antônio Trierveiller
é integrante da coordenação do
Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).