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28.03.2011
MAB debate Produção
Camponesa de Alimentos Saudáveis no norte de Minas
Participantes também
discutiram sobre o relatório de violação dos direitos
humanos em barragens
e Decreto que estabelece
critérios de cadastro socioeconômico às pessoas atingidas
No último dia 26 de março, aproximadamente
200 atingidos pela Barragem de Berizal participaram do
lançamento do programa de Produção Camponesa de Alimentos
Saudáveis, cujo objetivo é desenvolver formas alternativas e
economicamente viáveis de produção de alimentos, com justa
distribuição dos frutos do trabalho. O ato foi organizado
pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e aconteceu
no município de Taiobeiras, na região do Alto Rio Pardo,
norte de Minas Gerais.
O evento ainda contou com a participação do
Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Taiobeiras e
Indaiabira, além do Secretário Municipal de Agricultura e
representante do Território da Cidadania do Alto Rio Pardo,
ligado ao Ministério de Desenvolvimento Agrário.
A maioria das falas dos participantes exigiu
do Estado brasileiro políticas públicas que favoreçam a
produção de energia e alimentos sem veneno para o povo
brasileiro. Segundo o coordenador estadual do MAB, Cauê
Mello, “são exemplos de boas políticas públicas o Programa
de Aquisição de Alimentos, a construção de Cisternas, a
construção de placas solares para aquecimento de água, e o
reassentamento coletivo das famílias atingidas por
barragens”.
A mesa de debate contou com a participação de
um representante dos atingidos pela Barragem de Berizal,
Valcileno de Souza, e pela Barragem do Bico da Pedra,
Francisco Santos. “O desenvolvimento tão falado pelos donos
das barragens é um mito, depois delas o que vemos é só
miséria e tristeza, por isso precisamos cada vez mais nos
organizar e lutar junto com o MAB para garantir nossos
direitos”, declarou Francisco.
A mesa contou ainda com a presença do
coordenador nacional do MAB, Moisés Borges, e da
representante do Instituto Ambiental Brasil Sustentável,
Carla Gualdani. Para ela “as cisternas colaboram para a
difusão e o desenvolvimento de uma tecnologia social para
captação e preservação da água no semi-árido brasileiro,
contribuindo assim, para autonomia das famílias que sofrem
com a má distribuição da água”. A região norte de Minas é
muito atingida pela seca e uma das formas dos atingidos
pelas barragens conviverem com o semi-árido é através da
construção de cisternas. “Ser atingido por uma barragem de
captação de água e não ter acesso a ela é muito injusto,
graças à nossa organização no MAB é que temos as cisternas e
isso nos ajuda muito”, disse um morador.
Relatório
aponta violação dos direitos humanos em barragens
O outro ponto alto do evento foi o debate
sobre o relatório que aponta violação dos direitos humanos
em barragens, aprovado pelo Conselho de Defesa dos Direitos
da Pessoa Humana, ligado a Secretaria Especial de Direitos
Humanos. Entre as sete barragens do país que a Comissão
Especial fez as investigações, três são de Minas Gerais:
PCH’s Emboque e Fumaça e a UHE de Aimorés.
Os atingidos também discutiram sobre o
Decreto de Lei nº 7.342, que estabelece critérios de
cadastro socioeconômico as pessoas Atingidas por Barragens
em todo o país, ambos aprovados no ano de 2010. “Para nós
atingidos, o cadastro e o relatório de violação dos direitos
humanos vem legitimar a luta incansável do MAB contra os
crimes causados pelo grande capital através das barragens.
Minas Gerais é um caso emblemático de violações de direitos
humanos em barragens”, afirmou Moisés Borges. |